09 de julho de 2026
Bairros

Aos 15 anos, Apiece reconstrói prédio

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial (Apiece) completa 15 anos de funcionamento na segunda-feira enfrentando dificuldades. A entidade ainda não se recuperou dos danos provocados pela ventania que destelhou o prédio há um mês.

Na ocasião, as telhas da cozinha, do escritório e do auditório foram lançadas a quase um quarteirão de distância em função da força dos ventos. “Estamos recomeçando mais uma vez. Não é fácil precisar sempre de ajuda, principalmente num período em que temos de pagar o encargo do 13º salário e festejar o Natal”, comenta a presidente da Apiece, Catarina Carvalho.

De acordo com ela, a recuperação do prédio vai custar mais de R$ 10 mil. Porém, alguns parceiros já doaram telhas (quase R$ 4 mil), tijolos e verba para a compra do material necessário para a reforma. Mas ainda falta, por exemplo, concluir as paredes e restabelecer a rede elétrica.

“Para continuar funcionando, fizemos várias adaptações. O escritório foi transferido para a sala de fisioterapia, a padaria virou cozinha, a biblioteca transformou-se em dispensa e a brinquedoteca virou sala de aula”, comenta ela, que comemora o fato das crianças não serem atingidas durante o temporal.

Atualmente, a Apiece atende a maioria das 54 alunos portadores de deficiência em regime de semi-internato. A entidade funciona numa área de 1.280 metros quadrados com 782 metros quadrados construídos.

“Estamos reformando 80% do prédio e para isso contamos com a colaboração dos voluntários. Os recursos públicos que recebemos cobrem cerca de 20% dos nossos gastos. O resto levantamos com a ajuda da comunidade. Se não fosse ela, a Apiece tinha fechado”, destaca Catarina.

Reconhecimento

Segundo ela, a entidade gasta R$ 5 mil por mês para manter o atendimento. Uma voluntária que preferiu não se identificar diz que justamente por acompanhar essa dificuldade é que decidiu colaborar. “Acredito na proposta do trabalho e reconheço que os órgãos públicos não dão conta de atender toda a demanda”, afirma.

Se as doações não existissem, talvez a filha de Claudeonor e Sueli Pedroso não fosse atendida há sete anos na entidade, reconhecem os pais.

“Isso aqui é um complemento diário. As crianças ficam ansiosas em vir para cá. É muito bom”, enfatiza Claudeonor.

Tugiko Kuazuru, mãe de outra estudante, confirma a informação, assim como Débora Banzato, aluna que prestou homenagem a Catarina Carvalho na festa de aniversário da Apiece, realizada ontem. As duas se emocionaram.

“Esse é o nosso incentivo para recomeçar. Os fortes sempre recomeçam. Como presente de aniversário, quero ter fé para dar continuidade ao trabalho”, fala Catarina, que também é sóciafundadora da entidade. De acordo com ela, a Apiece surgiu em razão de um movimento em favor das crianças especiais, realizado através de encontros e palestras que visava a fundação de mais uma entidade em Bauru, já que a demanda pelo atendimento às pessoas especiais era grande.

O movimento cresceu em 1887 e se consolidou no ano seguinte, quando as mães assumiram a instalação da associação. A Apiece itinerou por quatro endereços até se estabelecer na rua Zéphilo Grizoni, no Jardim Petrópolis, o que foi possível através da doação de um terreno. Em abril de 1996, Catarina assumiu a presidência da associação, que presta assistência gratuita.

“Os usuários são de família carente. 40% residem no próprio bairro e 60% em bairros mais afastados. Oferecemos cesta básicas os pais necessitados e café da manhã, almoço e lanche da tarde aos atendidos. Por isso, dependemos da colaboração de todos”, ressalta.

A Apiece recebe crianças, jovens e adultos de ambos os sexos, a partir dos 5 anos de idade, portadores de deficiências física, mental e múltiplas.

• Serviço

A entidade está instalada na rua Zéphilo Grizoni, 7-87, no Jardim Petrópolis. O telefone de contato é (14) 3222-0368.