O fim de ano em Bauru terá uma injeção de cerca de R$ 70 milhões em sua economia com o pagamento do 13.º salário aos trabalhadores. Os reflexos devem começar a aparecer até o final deste mês, quando grande parte dos empregadores paga a primeira parcela do salário extra. Nas ruas, os consumidores admitem que têm intenção de comprar presentes para este Natal, mas o acerto de dívidas está em primeiro lugar.
A projeção do total do 13.º em Bauru foi feita pelo economista Reinaldo Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), a partir do volume previsto para o País, conforme divulgado ontem pelo JC: R$ 25 bilhões até o Natal, já descontados cerca de 30% recebido ao longo do ano por algumas categorias.
De acordo com Cafeo, o salário extra de cada trabalhador bauruense, em média, deverá ser de R$ 716,00. Ele recomenda ao consumidor que for utilizar esse dinheiro no comércio que procure pagar à vista ou, no máximo, em três parcelas, sob risco de criar novas dívidas para 2004.
O economista lembra que a renda média do trabalhador foi achatada entre 10% e 12% ao longo de 2003 com reajustes diversos nos preços, principalmente nas tarifas públicas. “É natural que as pessoas tenham optado por buscar crédito”, diz.
Ainda segundo Cafeo, os itens importados, que no ano passado foram prejudicados pelo dólar quase a R$ 4,00, podem vender bem neste Natal. “Há uma sensação de que, como o dólar está mais barato (R$ 2,95, ontem), os produtos importados estão mais baratos”, aponta.
Para o empresário Sérgio Evandro Motta, diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) local, o clima está mais propício para o consumo neste ano do que em 2002. “Não é todo mundo que tem dívida. Na verdade, hoje é a menor parte dos consumidores”, diz. Segundo ele, o comércio de Bauru espera um Natal com resultados até 6% superiores ao do ano passado.
Motta aponta que mesmo o consumidor que não pretende comprar presentes acaba investindo no comércio no final de ano. “Às vezes a pessoa prefere viajar, mas acaba comprando uma roupa nova”, afirma.
Mais baratos
O consumidor de Bauru não pretende deixar o Natal passar em branco, apesar das dívidas e da renda escassa. “Vou pagar contas e comprar algum presentinho de Natal, alguma coisa mais barata. Está difícil para todo mundo, mas não vou deixar de comprar”, afirma o motorista William Vicente de Moraes, 39 anos.
A professora Heloísa Aparecida Jorge Sampaio, 49 anos, apesar das dívidas espera comprar presentes, embora mais baratos. “Acho que o pessoal vai aproveitar o 13.º para pagar dívidas. Se gastar, vai ser a prazo novamente, daí ficam outras dívidas para o ano que vem”, avalia.
Há também quem pretende guardar o 13.º salário para investir em planos futuros, como o engenheiro Fadir Salmen, 36 anos, e a empresária Cilene Canizella Salmen, 37 anos. “Um pouco vai para presente, um pouco eu vou segurar, guardar um pouco”, diz ele.
Já para a aposentada Etelvina dos Santos Piedade, 68 anos, não vai ter saída: o 13.º está comprometido. “Vou gastar o 13.º comprando remédios. Não sobra dinheiro para comprar presente, só se for alguma coisa de R$ 1,99”, brinca.