07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O talento e a sorte


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Certo rei da Pérsia, um pouco entediado, quis quebrar a monotonia. Foi para a Mesquita Musalla, perto de Shiraz, e ordenou uma competição entre os grandes arqueiros. O vencedor teria que transpassar com flecha um pequeno anel fixado num poste. Além de moedas de ouro, o herói receberia muitos presentes. Quatrocentos dos melhores se apresentaram, mas todos erraram e perderam a chance. Depois da competição, e como não havia no local nenhum secretário de Esportes alienado, empanando o brilho da festa, um jovem que portava arco e flechas, por brincadeira, atirou no alvo e acertou-o em cheio. O rei viu e mandou que entregassem os prêmios a ele. Assustado diante das aclamações, o jovem agradeceu como pôde. Mas, em seguida, isolou-se e, pensativo, pôs-se a queimar seu arco e flechas. Perguntado por um nobre por que fazia aquilo, respondeu calmo: “Um homem de verdade não confunde sorte com talento. No futuro, eu não serei arqueiro. Passei a flecha meramente por sorte. Por isso queimo meu arco e flechas. Não desejo, nunca mais, aparentar o talento de que não disponho”. O que logo ressalta às nossas vistas é a coragem desse jovem árabe em ser honesto e correto diante das eventualidades. Vemos hoje em Bauru e vizinhanças um surto de politicóides pretensiosos e gananciosos, sempre ávidos da farra com o dinheiro do povo. E só lastimar não basta. Contudo, jovens promotores, juízes e policiais vêm corrigindo a covardia da corrupção devastadora, metendo histórica e, por ora, heroicamente, “gente fina na cadeia”. Oxalá tenhamos em breve mais “finórios” na Cadeia de Bauru e região.

Antonio Ribeiro Corrêa - RG 4.168.220