Virou moda o uso de palavras e expressões estrangeiras no nosso dia-a-dia. Essa invasão na Língua Portuguesa significa um enriquecimento do idioma para algumas pessoas; para outras, trata-se de um abuso. Quem não gosta de neologismos(palavras novas) não precisa usá-los, certamente. Mas como não se escolhe o que se lê, é bom saber o que há de novidade por aí. Vejamos:
Agora ninguém vai aos Correios, só envia “e-mail†ou usa “fast way express†(entrega rápida). Os carteiros que se cuidem. Os garotos gastam toda a sua mesada comprando aquela roupa de grife, sem ao menos saber qual o significado da frase estampada na camiseta. Não importa, tudo é “fashionâ€.
Quem almeja a um emprego deve estar sempre com o seu “portfolio†atualizado e participar de “workshopsâ€(seminário). Para descontrair depois do expediente, que tal um â€happy hour†? Afinal, ninguém é de ferro, e, às vezes, é melhor atrasar a volta para casa, porque o horário do “rushâ€, quando a moçada está indo para as faculdades, é terrível.
Algumas palavras já estão enraízadas, que ficaria difícil deixar de usá-las. Como pediríamos um hamburguer, alguns nuggets acompanhados de um milkshake, no Mc Donald’s? E onde compraríamos roupas: nos shoppings centers ou nos centros de compra?
Na área da informática, onde temos, atualmente, uma invasão avassaladora de palavras estrangeiras, encontramos muitos termos usados em bom português, como “configurar, arquivar, formatar, imprimir, fecharâ€; outros continuam transitando, aqui no Brasil, em inglês mesmo (link, mouse, download, chat, backup).
Há também alguns verbos que sobrevivem com sua forma aportuguesada, como atachar, clicar, escanear, inicializar, em vez de iniciar, lincar (com c, e não k), postar, surfar, navegar, zipar.
é interessante destacar que o verbo “deletar†(apagar, destruir, limpar, remover) não tem sua etimologia (origem) no inglês, mas sim, no latimm (delere). Aliás quem não se lembra da história de Roma, quando, com o ressurgimento de Cartago, o romano Marco Antônio Catão, no Senado, não se cansava, diante da ameaça que Cartago representava, de repetir: “Delenda Cartago†(Cartago deve ser destruída).
A estrutura gramatical da Língua Portuguesa já sofre as conseqüências decorrentes da invasão do inglês. Por que vou estar procurando e não procurarei ou procuro, ou vou procurar? E por que vamos ficar cansados e não ficaremos cansados, ou ainda, cansar-nos-emos?
Na França, desde 1995, é proibido o uso de inglês em documentos oficiais e em anúncios publicitários. A Academia Francesa de Letras cria equivalentes nacionais para os termos ingleses que chegam com a ciência e a tecnologia. Não estaria aí um bom exemplo a ser seguido?
Corre-se o risco de ver nossa Língua desaparecer, dando origem a uma outra: o “portuglêsâ€. Estamos perdendo, ou melhor, já perdemos o referencial lingüístico.
Fica aqui, mais uma missão, nada fácil, para os professores de Português: acabar com esses invasores, antes que eles acabem com o nosso idioma. (O autor, Gino Crês, é professor)