09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CONCERTO DO PIANISTA HAROLD BROWN


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O exímio pianista americano Harold Brown proporcionou momento de raríssima beleza àqueles que compareceram ao concerto apresentado no Teatro Veritas, da Universidade do Sagrado Coração. Uma técnica impecável e altíssima sensibilidade musical se combinam neste artista de uma forma extraordinária e o resultado é transcendental, o ouvinte entra em comunhão com compositor e pode compartilhar de sua inspiração.

A primeira parte foi dedicada aos compositores franceses Gabriel Fauré e Maurice Ravel. Já nos primeiros acordes do Tema e Variações em dó sustenido menor de Fauré, Mr. Brown revela a sua intimidade com o piano, e como um escultor mr. Brown molda e transforma as notas musicais num caleidoscópio de cores, formas e harmonias capazes de transportar a audiência a patamares raramente alcançados. As difíceis passagens ligeiras em piano ou pianíssimo são executadas de uma forma tão natural como um suspiro ou uma brisa suave duma tarde de primavera. Já aquelas que exigem força e bravura são executadas com clareza e rara harmonia. O Tema e Variações de Fauré é uma peça pouco conhecida e ao ouvi-la é como se estivéssemos observando pinturas de Cézanne, Monet ou outros artistas impressionistas, as emoções são variáveis, mas sempre agradabilíssimas.

Em Ravel, mr. Brown revela ainda mais seu enorme talento. Na primeira peça, Noctuelles (mariposas), Ravel descreve numa harmonia maravilhosa esses insetos voando atraídos pela luz, numa dinâmica impecável. Mr. Brown incorpora o gênio de Ravel para descrever essa cena única. A segunda peça, Oiseaux tristes, é de um maravilhoso lirismo e o canto solitário do pássaro no Bois de Boulogne é fielmente retratado. O ponto culminante da primeira parte foi sem dúvida a maravilhosa interpretação da peça Une barque sur l’oceán, uma peça de grande virtuosismo, através da qual mr. Brown, que é canhoto, brindou o público com uma interpretação pirotécnica. Sua mão esquerda demonstrou ser até mais santa do que a do Oscar, e tudo o que Ravel pretendia expor nessa obra prima foi revelado: turbilhões ascendendo das profundezas do oceano, ondas borbulhantes e ventos sibilantes. O piano se submete completamente ao controle total do artista, suas mãos produzem passes de mágica para o delírio do público extasiado.

Na segunda parte do concerto, mr. Brown apresentou os prelúdios completos de Chopin, obra-prima que exige virtuosismo, como no prelúdio número 24 em ré menor, quando mais uma vez a mão esquerda enfrentou o desafio de saltos arriscados e contínuos com uma virtuosidade sem igual, e a mão direita, por sua vez, executou as passagens rápidas em terças com a mesma facilidade como se fossem notas simples. Como “encore”, mr. Brown executou um dos maravilhosos prelúdios de Rachmaninoff, B Flat major opus 23 #2 em si bemol maior opus 23 número 2, que também exige grande virtuosismo do artista. O público vibrou com esta magnífica apresentação e ovacionou em pé esse grande artista internacional. (Prof. Benedito S. Guedes de Azevedo - RG 1.571.673)