08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ETERNA BUROCRACIA


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“Quando a construção vai bem, tudo vai bem num país”, sentenciou o general e ex-presidente da França Charles de Gaulle, não por acaso um dos principais estadistas do pós-guerra. Não são palavras vazias, razão pela qual as utilizo recorrentemente. Estão comprovadas na história de vários países, inclusive os Estados Unidos, que enfrentaram a grande depressão depois do crash da Bolsa, em 1929, com investimentos em obras públicas e agricultura - o denominado “New Deal”, de Franklin Delano Roosevelt. Fala-se até mesmo que buracos fechados durante o dia eram reabertos à noite, a fim de ocupar mão-de-obra. Chegou a hora de o Brasil promover seu “New Deal” verde-amarelo. É isso o que agora pede o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ao defender um grande acordo tripartite entre governo, empresários e trabalhadores, sem o que não se verá tão cedo o espetáculo do crescimento que tanto desejamos. O CDES indica a necessidade de fortes investimentos públicos na área de habitação, setor apontado pelo presidente Lula como prioritário (a redução do déficit de moradias foi por ele definida como “questão de honra”). Soma-se a essas manifestações o que disse recentemente o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ao afirmar que “o governo tem de buscar políticas que incentivem o crescimento da economia, a geração de empregos, investimentos na área de saneamento e habitação”. Não resta dúvida de que todo mundo concorda que o setor capaz de responder mais rapidamente às necessidades do país é o da construção. Diante disso, fica a questão: por que isso não acontece? Onde está o gargalo que impede uma ação efetiva neste campo, haja vista que existem recursos para iniciar esse ciclo virtuoso? Recorrer aos nossos vereadores? Nem pensar!... Eles estão em outra esfera ou dimensão. A meta deles (alguns) é só Comissão Processante (CP) - do feijão, da carne, do arroz -, a Câmara “virou” um restaurante... Pelo que nos parece, alguns vereadores só sabem fazer isso! Mas vamos nos lembrar disso o ano que vem - eleições/2004.

Outra aberração: temos que rezar a cartilha do FMI, cumprir metas de inflação custe o que custar, razão pela qual não se poderia estimular a indústria da construção. O recente anúncio de R$ 5,3 bilhões para moradia foi recebido calorosamente pelo setor produtivo. Porém, o nível de exigências para a concessão de créditos pela Caixa Econômica Federal dificulta muito as operações destinadas à produção de imóveis. Burocracia, eterna burocracia!... Até quando? (João Álvares - da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado e da Associação Paulista de Imprensa - registro n.º 2069)