07 de julho de 2026
Regional

Itapuí exportará frango em 2004

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

No Estado de São Paulo, há oito frigoríficos avícolas que exportam a carne de frango para o Exterior. Três deles estão habilitadas para vender carnes de aves para o Mercado Comum Europeu, o mais exigente dos consumidores. Das 1.600 toneladas de frango que deixam o País rumo ao mundo, 2% saem do Estado de São Paulo. Os maiores exportadores estão nos Estados do Sul. Em Itapuí (44 quilômetros a Nordeste de Bauru), o frigorífico Itabom deverá começar a exportar em janeiro e dobrar a oferta de emprego do setor.

As estimativas apontam que, no ano de 2004, a participação do Estado de São Paulo será ainda maior, isso porque mais abatedouros estão habilitados pelo SIF para iniciarem a exportação de frango. “Em 2003, houve um aumento de 2% nas exportações. A estimativa para o próximo ano é de um aumento de 5%. O motivo é um incentivo do governo para o setor. A partir do ano que vem, a Itabom passa a exportar”, explica o diretor comercial da empresa, Nivaldo José de Souza.

De acordo com ele, o que falta para o Estado de São Paulo é tecnologia no abate. “No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina há mais tecnologia”.

O controle de resíduos biológicos, ou seja de antibióticos, somados ao controle da salmonela, habilitaram os abates avícolas brasileiros a exportarem a carne de frango, enfatiza o diretor.

Mais empregos

Uma das conseqüências imediatas da exportação na nossa região será o aumento da produção e um maior número de vagas no mercado de trabalho, ressalta o empresário Pedro Luiz Poli. “Temos uma capacidade de abate de 7.500 aves/hora. Em 2004, vamos ampliar para 12.000 aves/hora.”

Atualmente, são 300 aviários que fornecem aves para o abate do frigorífico, diz Poli. “Temos que dobrar esse número. Hoje, temos cerca de 900 funcionários diretos, este número deverá ser ampliado em 60%.”

Investindo na qualidade da carne, um diferencial da marca, o frigorífico acompanha a ave desde o seu nascimento. “Trabalhamos com o sistema de integração, uma espécie de parceria. Temos profissionais atuando desde a seleção dos pintos, transporte e saúde das aves.”

A alimentação dos frangos é outro item que a empresa valoriza. “Nós produzimos a ração para a alimentação dos pintos, temos que garantir a qualidade da carne tanto para a exportação quanto para o mercado local, estadual e brasileiro.”

Padrão internacional

Para ter a fiscalização e autorização do SIF, o frigorífico Itabom teve que investir. “Inicialmente tivemos que pavimentar a área externa, cerca de 30 mil metros quadrados. Separamos as entradas de caminhões que não pode ser a mesma dos funcionários, uma exigência internacional. Assim como um local apropriado para desinfecção das aves e caminhões quando chegam da origem.”

O controle contra salmonela e coliformes fecais são rigorosos. “Esse é o diferencial da Itabom, tanto para o mercado interno quanto para o externo. Embora nosso preço seja um pouco maior, nosso produto tem qualidade diferente,” explica o empresário.

Segundo ele, o rigor do SIF favorece os frigoríficos. “Eles são rigorosos no cumprimento da lei. Exigem que todos os procedimentos sejam cumpridos o que para nós é importante porque nos obriga a ter controle de qualidade.”

Rito Hallal

A exportação de frango na região de Bauru vai ter início em janeiro, com a Itabom levando a carne de frango para o Oriente Médio, China, Japão e África. Para atender o cliente, o frigorífico mudou a posição da linha de sangria e faz o rito Hallal. Todo o abate está direcionado para a Meca (cidade sagrada para os muçulmanos), através de uma bússola própria, para agradar o mercado internacional.

O rito Hallal envolve ainda uma oração. “Recebemos o vice-presidente da federação islâmica. São eles que qualificam o frigorífico para o abate. Na época do abate, eles enviam um representante para acompanhar todo o processo. Além do posicionamento da ave, é feita uma oração e a sangria tem que ser feita da maneira deles, voltada para a direção da Meca.”