09 de julho de 2026
Regional

Carnes da região conquistam o mundo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Com um mercado interno recessivo, os “reis da carne” da região precisaram conquistar novos mercados. Para fazer com que as carnes brasileiras chegassem ao Exterior, tiveram que investir para perder a fama de vendedor de carne de segunda. Com isso, melhoraram a qualidade de seus produtos e hoje o Brasil figura como o maior exportador de carnes do mundo, deixando para trás líderes históricos como Austrália e Estados Unidos.

Um dos recordistas em venda de carne bovina, o frigorífico Bertin está instalado na cidade de Lins. O Frigol, que figura em 15.º lugar no ranking das exportações, tem sua sede em Lençóis Paulista. A Itabom, de Itapuí, se prepara para levar ao mundo os frangos da nossa região.

O grande desafio para esses empresários é conquistar o Mercado Comum Europeu, o mais restrito e exigente do mundo. Só comercializa carne com os europeus, os integrantes de uma lista bastante limitada. Para chegar a outros países, a carne brasileira precisou figurar numa lista geral.

Os maiores exportadores de carne bovina brasileira são quatro, entre eles está o frigorífico Bertin. Juntos, eles devem exportar aproximadamente US$ 850 milhões este ano.

Rebanho saudável e livre da doença da vaca louca que excluiu o Canadá e a Europa do mercado internacional, a carne brasileira ganhou espaço e hoje é vendida para 104 países. Há quatro anos, a exportação de carne era feita somente para 40 nações.

Outro fator favorável à carne do Brasil é o baixo custo de produção. O boi é criado no pasto e confinado somente no final enquanto nos EUA, Austrália e Europa, o animal é confinado e alimentado com grãos.

Seleção para abate

A seleção do animal que vai para o abate é o início do processo que garante a qualidade das carnes brasileiras. Para não correr riscos, os frigoríficos mantêm em seus quadros de funcionários, veterinários e pesquisados que trabalham durante todo o processo.

No Frigol, o animal que chega para o abate passa por um regime de, no mínimo, 24 horas. Fica nos currais sendo alimentado somente com água. Se neste período ele apresentar alguma anomalia, é recusado para o abate.

Nos currais, os animais são pulverizados com água hiperclorada para eliminar qualquer sujeira que ele traga de sua origem.

Os cuidados com a higiene é outra preocupação dos frigoríficos. Para entrar no local de desossa da carne, é preciso usar um uniforme e lavar as botas com produto de higienização, a fim de evitar contaminação.

Curiosidades

* A tripa bovina é usada, após processo de industrialização, para a confecção de lingüiça, enquanto a bexiga é utilizada para a mortadela.

* O vergalho do boi (órgão genital do animal) é consumido na China e no Nordeste brasileiro.

* As carnes traseiras, as chamadas nobres, são as consideradas melhores. No Oriente Médio, as carnes de segunda são as mais requintadas, por serem muito saborosas.