10 de julho de 2026
Bairros

Apenas 5% das ligações geram ocorrência

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 1 min

O telefone de atendimento do Corpo de Bombeiros é um dos que mais tocam na cidade todos os dias. São quase 500 chamados diários, sendo que 70% deles são trotes recebidos pelos atendentes. “Classificamos isso como perturbações. É uma tristeza escutar as palavras de baixo calão que são ditas a troco de nada”, desabafa o soldado José Carlos Moraes, telefonista do Corpo de Bombeiros de Bauru.

Ele diz que muita gente liga para xingar ou pedir socorro sem fundamento. No entanto, os atendentes têm mecanismos para descobrir quando trata-se apenas de um trote. “Às vezes, pelo tom de voz da pessoa e pelas informações desencontradas, já percebemos que não se trata de algo real”, explica.

Além do aparelho que detecta o número do telefone que está chamando, quando desconfia do telefonema, o telefonista descobre o endereço de quem ligou e confirma as informações junto a algum vizinho. “Não podemos mandar uma viatura à toa”, ressalta.

A Unidade Resgate (UR) é a mais solicitada e chega a atender 420 chamados por mês. O soldado Hamilton Paulo Vier, motorista de uma delas, conta que muitas vezes eles são chamados para socorrer casos clínicos, função que deveria ser cumprida por ambulâncias da prefeitura. “Até partos fazemos”, frisa.

Apesar da experiência e do treinamento que faz para não se envolver emocionalmente com as cenas trágicas que testemunha, o soldado diz que tem situações que causam muita tristeza e angústia. “Acidentes com crianças ou com pessoas conhecidas são os que mais nos comovem”, diz.

No entanto, ele ressalta que o apoio dado pelo psicólogo da corporação ajuda a manter o equilíbrio nesses momentos de tensão. “Devemos nos concentrar no salvamento para fazer um trabalho eficiente”, afirma.