08 de julho de 2026
Bairros

Novos recursos poderão vir de taxa

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

A expectativa para conquistar melhorias para a corporação de Bauru está recaindo sobre a população da cidade. O Corpo de Bombeiros apresentou, na última terça-feira, ao prefeito municipal, a proposta de criação de uma taxa a ser cobrada dos contribuintes mensalmente, visando arrecadar cerca de R$ 1,1 milhão por ano.

O valor seria mais do que o dobro da verba repassada pela prefeitura ao grupamento anualmente - em torno de R$ 500 mil. “Com esse recurso, melhoraríamos a estrutura física dos quartéis, compraríamos equipamentos e poderíamos modernizar a corporação”, explica o capitão José Guerxis de Aguiar.

Comandante do sub-grupamento de Botucatu, ele esteve na cidade para mostrar como a taxa funcionaria e quais os benefícios que ela proporcionaria para os bombeiros da cidade. “Em Botucatu, arrecadamos cerca de R$ 700 mil anualmente, dinheiro que é totalmente investido na corporação”, frisa.

Ele apresentou fotos que mostram a estrutura do Corpo de Bombeiros de lá, elucidando o quanto eles estão adiantados com relação a Bauru. “Nós construímos um centro de treinamento com quadras, piscina e tudo o que os homens precisam para se aperfeiçoar diariamente”, conta.

Além disso, as viaturas estão com a manutenção em dia e a aquisição de equipamentos pode ser feita de acordo com a necessidade do grupamento.

Conforme matéria divulgada pelo Jornal da Cidade de quinta-feira, dia 13, o prefeito Nilson Costa (PTB) se comprometeu a apresentar o projeto de lei sobre a criação da taxa à Câmara Municipal até amanhã.

De acordo com o capitão Guerxis, o dinheiro arrecadado pela contribuição será destinado ao Fundo Municipal de Manutenção do Corpo de Bombeiros, criado através de decreto publicado no Diário Oficial da última terça-feira. “Essa verba é carimbada, ou seja, a única destinação dela é a corporação”, salienta.

O Fundo deverá ser administrado por um conselho diretor formado pelo prefeito municipal, Comandante do Corpo de Bombeiros de Bauru, um pessoa designada pela Câmara Municipal, um representante da comunidade, um funcionário da Secretaria de Planejamento e um oficial do Corpo de Bombeiros.

Cobrança

O cálculo da taxa de sinistro será individualizada, ou seja, cada contribuinte vai pagar um valor distinto, de acordo com o seu imóvel. Segundo o capitão Guerxis, a fórmula leva em consideração o poder calorífico de cada edificação ou terreno, baseado em uma tabela calculada em laboratório.

Dessa forma, os valores podem variar entre R$ 6,80 (para uma casa de 100 metros quadrados) até R$ 140,00 (para um galpão industrial com cerca de 1.000 metros quadrados). O valor é anual e poderá ser dividido em até dez parcelas. “A quantia é irrisória para quem paga, mas vai fazer uma grande diferença para o Corpo de Bombeiros”, salienta o capitão.

A população mostra-se dividida com relação ao assunto. Alguns têm medo do dinheiro desaparecer antes de chegar ao seu destino final.

Conserto de escada magirus é trocado por mais uma UR

Depois de permanecer dois anos parada por falta de informatização na garagem do Corpo de Bombeiros de Bauru, a viatura auto-escada 36, equipada com escada magirus, foi encaminhada para São Paulo no começo do mês para manutenção.

De acordo com o tenente Marcos Ricardo Poloniato, responsável pelo setor operacional da corporação, a viatura deverá ser informatizada com verbas estaduais, retornando para Bauru em seguida. Em contrapartida, a Prefeitura Municipal, que inicialmente havia se comprometido com o conserto, entregaria ao grupamento de Bauru um chassi para a montagem de uma Unidade Resgate (UR), veículo mais utilizado no município.

O chefe de Gabinete da administração municipal, Antonio Sérgio Marsola, confirma o acordo e diz que, no início do ano, será aberta licitação para a compra do veículo. “A idéia é investir R$ 60 mil nessa aquisição, dinheiro que vamos economizar devido ao conserto ser feito pelo Estado”, explica.

A auto-escada é utilizada para combate a incêndio em prédios elevados (cerca de 50 metros) e resgate de vítimas em edifícios. Ela foi trazida para Bauru graças à intervenção de dois empresários, que descobriram que a viatura estava parada na garagem do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Ricardo Oliveira e Joseph Obeid foram convidados a fazer uma visita ao quartel da Capital, há dois anos. Lá notaram que algumas viaturas estavam inutilizadas na garagem devido a problemas técnicos e pediram ao comandante do grupamento, na época o coronel Wagner Ferrari, que cedesse uma para Bauru.

Oliveira conta que a prefeitura se comprometeu a arrumar o computador que controla a escada magirus. “Nós fizemos o pedido porque já estava na hora da cidade contar com uma viatura de salvamento desse porte, devido à quantidade de prédios que possui”, ressalta Oliveira.

O veículo tem um valor estimado de R$ 1,2 milhão e o conserto deverá custar aproximadamente R$ 90 mil.

Até quanto você pagaria para ajudar o Corpo de Bombeiros?

“Acho que R$ 2,00 por mês estaria de bom tamanho, se todo mundo colaborasse. Eu estaria disposto a pagar se fosse necessário. O trabalho da corporação é muito importante para nós”, Armando Marcos da Rocha, supervisor de agência

“Eu não concordo com essa taxa. Nós já temos muitas coisas para pagar e eu não sei se esse dinheiro será usado realmente para essa finalidade. O Corpo de Bombeiros é administrado pelo governo e deveria receber verbas para funcionar, sem a necessidade de mais uma taxa”, Sinésio Gasparello, auxiliar de eletricista

“Acho que até uns R$ 5,00 por mês é um valor justo. O trabalho deles é muito bom”, Lisandra Camargo Lazzari, gerente de loja/

“Considero injusta essa taxa. As pessoas já estão sobrecarregadas de coisas para pagar. O Corpo de Bombeiros já tem um repasse de verbas do município e não deveria ser cobrado mais nada da população, que tem muitos impostos a pagar”, Carlos Kang, comerciante