08 de julho de 2026
Bairros

Faltam equipamentos de segurança

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Uma das maiores dificuldades no trabalho dos bombeiros não está na dura missão de salvar vidas. Diariamente, eles travam uma batalha complicada para conseguir realizar as empreitadas tendo à disposição equipamentos defasados e viaturas com poucas condições de uso. “A precariedade da estrutura causa um desgaste muito grande em nós”, afirma o capitão Cláudio Vanderlei Pereira de Nardi, chefe da seção administrativa do 12.º Grupamento de Corpo de Bombeiros de Bauru.

De acordo com ele, todos os dias, ao chegar para trabalhar, é preciso cuidar de uma viatura que está enguiçada, uma mangueira que furou na última operação e é preciso consertar, da falta de equipamentos para salvamento, entre outras coisas. “Em vez de pensar em programas de treinamento para a corporação, temos que ficar resolvendo sempre esse tipo de coisa, que atrapalha o aperfeiçoamento dos bombeiros”, frisa.

Para se ter noção do que essa situação significa para a população, se acontecesse algum acidente com produtos perigosos, ficaria muito difícil prestar socorro de maneira adequada. “Não temos equipamentos de mergulho e proteção respiratória para agir nesses casos. Por isso, ficaria muito difícil atender essa ocorrência”, explica o tenente Marcos Ricardo Poloniato, responsável pelo setor operacional.

Com relação aos profissionais, a situação é um pouco mais tranqüila. No total, o grupamento de Bauru conta com 124 funcionários, sendo que 32 ficam na parte administrativa e 92, na operacional. De acordo com o tenente Poloniato, esse número é suficiente para atender a demanda. “O efetivo é satisfatório. As instalações é que são precárias”, salienta.

O turno de um bombeiro é de 24 horas de trabalho por 48 horas de descanso. Quando está em serviço, além de realizar treinamentos, o policial cuida do quartel e fica a postos para qualquer emergência. “Por isso, as instalações têm de ser boas, pois um bombeiro que dorme em um ambiente sem ventilação, que tem uma alimentação ruim, não consegue estar preparado na hora de atender ao chamado”, destaca o capitão José Guerxis de Aguiar, comandante do Corpo de Bombeiros de Botucatu.

Ele esteve em Bauru, na semana passada, para apresentar a proposta de cobrança da taxa de sinistro, um tributo que poderá ser pago pela população para contribuir com a corporação de Bauru.

A responsabilidade pelo pagamento dos funcionários e pelo fardamento da corporação fica por conta do Estado, enquanto o município arca com a estrutura restante: instalações, equipamentos e viaturas.

No ano passado, o investimento do governo estadual foi de R$ 3.689.837,00 em Bauru, enquanto a prefeitura gastou R$ 407.916,00 - a dotação prevista era de R$ 150 mil.

Treinamento

Salvamento, incêndio, resgate, ocorrências envolvendo produtos perigosos, palestras em escolas (prevenção) e aprovação dos projetos de edificação da cidade. Essas são as principais atribuições do Corpo de Bombeiros.

Para dar conta do serviço, o grupamento precisa estar em constante treinamento, além de ter um acompanhamento médico e psicológico de qualidade.

No entanto, em Bauru, até mesmo o básico está em falta. Nenhum dos três quartéis da corporação na cidade possui uma piscina para as práticas de mergulho e salvamento. “Contamos com a colaboração dos clubes, que nos emprestam uma raia de suas piscinas por cerca de uma hora, duas vezes por semana”, explica o tenente Poloniato.

Ele diz que o ideal seria treinar todos os dias, durante uma hora, para estar preparado nos momentos de emergência.

O tenente ressalta que durante o período de trabalho, os profissionais estão o tempo todo aperfeiçoando suas técnicas (exceto em alguns momentos destinados ao descanso e à alimentação). “Os treinamentos são feitos com base na Instrução de Tropa Pronta (ITP), um manual utilizado em todo o Estado.”

Anualmente, o efetivo é reciclado através do Estágio de Aperfeiçoamento Profissional (EAP).

Unidade de Resgate é a campeã de atendimento

Todos os dias, em algum canto da cidade, a população escuta a sirene da viatura da Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros. Ela é chamada para atender não só acidentes, como também casos clínicos (infarto, por exemplo).

De acordo com o tenente Marcos Ricardo Poloniato, responsável pelo setor operacional da corporação, o veículo é utilizado em 70% dos atendimentos. “São cerca de 420 ocorrências por mês”, salienta.

Mesmo tendo mais de 300 mil habitantes, a cidade só possui duas viaturas desse tipo, menos que Botucatu, município que possui aproximadamente 100 mil habitantes e três URs. “Quando acontece de uma delas baixar (quebrar), fica uma loucura”, destaca o tenente.

No momento, inclusive, o grupamento está usando um dos veículos de Botucatu, pois a UR 246, pertencente ao Posto do Distrito Industrial, está em manutenção em Franca.

A idéia é conseguir, no começo do ano que vem, um nova viatura para o resgate de vítimas, através de um acordo feito com a prefeitura e o governo do Estado.

Outro déficit no quesito carros é o autotanque 44, um caminhão com 27 anos de uso, que está em precárias condições.

Segundo o tenente Poloniato, o veículo atua como apoio em situações de incêndio, mas tem pouca capacidade e está com o seu tanque furado. “Ele nem tem condições de correr muito, pois a sua parte mecânica é antiga”, diz, referindo-se à pressa que é necessária no momento do combate ao fogo.

Além da troca deste veículo e da aquisição da UR, a corporação precisaria de um autobomba novo e de equipamentos de mergulho, de trabalho em altura, de proteção respiratória, entre outros.