08 de julho de 2026
Regional

PM de Botucatu é alvo de atentado

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – Uma base comunitária da Polícia Militar de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) foi alvo de um atentado na noite do último sábado. Os vidros do prédio foram estilhaçados por cerca de cinco projéteis calibre 38 e um artefato explosivo, semelhante a um rojão, foi lançado dentro do local. Ninguém ficou ferido.

Desde o início da onda de atentados contra as polícias civil e militar do Estado, na madrugada do último dia 2, esse foi o primeiro ataque registrado na área do 26.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), que abrange 30 cidades da região de Botucatu.

Para o coronel Valmir da Conceição Vieira, comandante do batalhão, o registro foi um fato isolado que não teria relação com os últimos crimes orquestrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) na Grande São Paulo, Litoral e Interior do Estado.

O ataque à Base Leste de Botucatu aconteceu por volta das 23h30, no momento em que não havia policiais militares no prédio. Dois soldados, que trabalhavam no turno da noite, realizavam patrulhamento com uma viatura nas imediações do bairro. A base fica localizada na avenida Conde Serra Negra, no Jardim Peabiru.

Moradores da vizinhança teriam visto a movimentação dos autores do atentado. Segundo testemunhas, dois homens, cada qual em uma motocicleta, teriam parado em frente ao prédio e atirado. “Eles se aproveitaram do horário da ronda, quando a viatura saiu da base”, afirma o coronel.

Logo após a ação da dupla, policiais militares acionaram reforço e iniciaram um patrulhamento pela região, na tentativa de encontrar os envolvidos. Entretanto, até o fechamento desta edição ninguém havia sido preso. De acordo com Vieira, a polícia já identificou um dos suspeitos, que seria morador de Botucatu.

No domingo, uma moto sem placa que teria sido utilizada durante a ação foi encontrada abandonada em uma residência próximo à base. O proprietário da casa, segundo o coronel, teria afirmado desconhecer a procedência do veículo, que foi apreendido e encaminhado à Polícia Civil.

“Essa moto apreendida foi recém-comprada em uma agência da cidade. Pela nota fiscal, nós levantamos o proprietário e estamos à procura dele”, afirma. As investigações sobre o caso estão sendo encaminhadas pela Polícia Militar, 4.º Distrito Policial (DP) e Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu.

Segundo o delegado Marcelo Lanhoso de Lima, titular do 4.º DP, inicialmente os autores do atentado devem responder por dano ao patrimônio público, cuja pena prevista vai de seis meses a três anos de detenção. “A princípio nós estamos considerando o dano. Na apuração nós vamos vislumbrar outros crimes”, afirma.

De acordo com o delegado, não está sendo descartada a ligação desse registro com os atentados comandados pelo crime organizado. “A primeira hipótese é essa, tendo em vista todos os outros fatos que ocorreram em São Paulo. Mas isso teria que ficar provado”, afirma.

Sem ligação

Já na opinião do comandante do 26.º Batalhão, coronel Valmir da Conceição Vieira, a ação do último final de semana em Botucatu teria sido um fato isolado, sem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Não tem nada a ver com o crime organizado, ou com o PCC”, afirma.

Para o coronel, a dupla teria se aproveitado da onda de ataques para dar um “susto” na polícia. Segundo ele, a PM trabalha com essa hipótese, levando em conta a forma de atuação dos autores. “Primeiro pelo calibre do armamento, que é 38, e se acha em qualquer lugar. E também porque foram dados poucos tiros. Não foi uma ação mais enérgica, ousada e organizada”, avalia.

Ainda sim, segundo Vieira, o policiamento na Base Leste foi reforçado após o fato. Desde domingo, policiais tem cuidado da segurança do prédio durante 24 horas.

“Nós também vamos intensificar o patrulhamento de nossa Força Tática nesse local. Temos que prender esse pessoal para dar uma resposta imediata”, afirma.

Desde o início da onda de atentados contra a polícia, todo o efetivo do 2.º Batalhão foi orientado a ter cautela redobrada com a segurança própria e com as instalações da PM e viaturas. Os policiais tiveram as folgas reduzidas e estão atuando com o armamento reforçado e de forma integrada.

“Nós também dificultamos a passagem em frente aos quartéis, evitando que circulem veículos, e colocamos barreiras, para facilitar a identificação de estranhos”, afirma o coronel.

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Casos

Segundo dados da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, até ontem foram contabilizados 46 atentados contra a polícia no Estado. Durante os episódios, dois PMs e dois criminosos foram mortos e 13 pessoas ficaram feridas. No total, até ontem, 37 suspeitos foram presos e oito ataques foram esclarecidos.

Até o fechamento desta edição, o caso de Botucatu não estava sendo considerado um atentado pela secretaria. “Ainda está sendo investigado se foi um ato de vandalismo ou atentado”, afirma a assessoria.

Após o início dos ataques, toda a polícia do Estado adotou normas e procedimentos para proteger as instalações, viaturas e a segurança dos policiais.