09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mensalidade escolar pode subir até 15%

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

As mensalidades nas instituições privadas de ensino infantil, fundamental e médio devem sofrer correções de 12% a 15% para o próximo ano letivo, de acordo com indicação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp). Mesmo com a correção dos preços e a alta inadimplência registrada neste ano, as escolas não esperam perder alunos. Pelo contrário, as expectativas são de crescimento.

O diretor regional do Sieeesp, Gerson Trevizani, explica que a orientação da correção para as escolas é baseada nos índices de inflação de 2003 e nas perspectivas de variação futura. “O aumento é necessário porque a escola exige investimento constante em laboratórios, computadores novos, professores habilitados, auxiliares de ensino”, diz.

Bauru conta atualmente com cerca de 50 instituições particulares, de educação infantil ao ensino médio, com aproximadamente 40 mil alunos.

Segundo Trevizani, que também dirige escolas de ensino fundamental e médio e uma instituição de ensino superior na cidade, a inadimplência registrada neste ano foi quase três vezes maior do que em 2002. Em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, os índices chegaram a 15%.

“Mas aconteceu uma coisa interessante. Em outubro, a inadimplência diminuiu em todas as escolas particulares. Parece que a economia teve uma melhora. Tivemos pais de alunos pagando mensalidades atrasadas até dos últimos três anos”, comenta.

Os diretores de outros estabelecimentos concordam com uma melhora na perspectiva das escolas. Marco Antônio dos Santos, diretor-presidente de uma instituição que conta com classes de educação infantil até curso pré-vestibular, opina que o mercado está passando por um momento de transição, em que apenas as escolas mais estruturadas conseguem se consolidar.

“Em 2003, tivemos inadimplência muito maior do que nos anos anteriores, e isto tem a ver com toda a situação da economia: o pai do aluno perde o emprego, recebe um salário menor, o empresário perde faturamento, a indústria produz menos. A expectativa em geral é de que o País volte a crescer. Trabalhamos com uma perspectiva realmente otimista”, declara.

O grupo do qual Santos é diretor comprou recentemente mais duas escolas em Bauru. Ele se mostra confiante com os investimentos e espera um crescimento em torno de 1.000 alunos para a instituição, que já conta com cerca de 2 mil estudantes. “Isto seria espetacular, pois em condições normais, nenhuma escola cresce assim. O aumento será possível porque agregamos outras unidades em regiões da cidade que não atendíamos”, diz.

Clóvis Roberto Benedetti Lourenço, diretor-geral de um colégio que atende alunos da educação infantil até o pré-vestibular, também aposta na melhora da economia para alavancar as instituições de ensino, mesmo com o aumento de cerca de 15% nas mensalidades. “Esperamos crescimento de 15% no número de alunos. Nossa rematrícula começou em setembro e já temos várias salas com matrículas esgotadas”, afirma.

Lourenço comenta que a inadimplência no colégio que dirige chegou a 3,5% neste ano, índice pequeno comparado com o do Sieeesp, que chega a 15%. “Procuramos flexibilizar as datas de vencimento e da matrícula de acordo com os pais. A negociação tem tornado tudo mais fácil”, aponta.

Alternativa

As escolas têm criado algumas alternativas para evitar a perda de alunos. Além da tentativa de negociar descontos e planos de pagamentos com os pais e oferecer bolsas de estudo a alunos que se destacam nas aulas, algumas instituições criaram turmas em horários menos procurados, como no período da tarde.

Santos afirma que as aulas no período da tarde são uma alternativa aos pais de alunos, principalmente do ensino médio, justamente pelo preço menor. “O prédio estaria ocioso e já temos toda a escola instalada, então oferecemos um curso igual ao do período da manhã. Assim, é possível atender aquele pai de aluno que perdeu renda, possibilitando que seu filho faça uma boa escola”, diz.