09 de julho de 2026
Bairros

Professores de Bauru vão ajudar a montar programa contra racismo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Um grupo de professores da Diretoria Regional de Ensino de Bauru irá integrar o núcleo de capacitação do programa “Educando pela Diferença para a Igualdade”, lançado na última semana pelo governo estadual com o objetivo de transmitir, em sala de aula, informações sobre a importância da cultura negra e contra o preconceito racial.

A professora Floripes Soares dos Santos, que integra o grupo, afirma que a iniciativa será importante para que os professores da rede estadual recebam orientações sobre o tema. “Principalmente a partir do momento em que houver o contato deles com a realidade histórica e com a questão do negro no Brasil”, opina.

Ela acredita que o conteúdo possa ser transmitido aos alunos já no próximo ano. “A idéia é iniciar a capacitação imediata de alguns professores e, depois, que eles possam formar outros colegas”, explica.

Para facilitar o acesso ao curso, ele será disponibilizado através de videoconferências realizadas com o apoio da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp).

A dirigente regional de Ensino de Bauru, Marilene Guerrero, diz que o programa terá como público-alvo os estudantes de 1.ª à 4.ª séries. “A criança nunca mais esquece o que ela aprende. Pretendemos iniciar essa conscientização desde cedo”, justifica.

Segundo ela, algumas escolas de Bauru já desenvolvem trabalhos que visam disseminar a importância da cultura negra. “É um conteúdo que faz parte da nossa proposta curricular, dentro do que chamamos de temas transversais. Ele será fortificado, agora, com a assinatura desse documento pelo governo estadual”, declara.

Marilene Guerrero afirma que o projeto de capacitação de professores contará com o apoio da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da Subsecção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O presidente da comissão, Antônio Carlos da Silva Barros, diz que o programa é importante para promover a integração entre as diferentes raças. “Ninguém nasce racista. A pessoa se torna a partir de determinadas situações. Temos que levar em consideração que, embora vivamos em uma nação que é multi-racial, existem muitos resquícios de discriminação e preconceito no cotidiano”, opina.

Ele acredita que os estudantes carecem de informações sobre o assunto. “Paira um desconhecimento sobre aquilo que é a situação histórica do afro-descentente. Sabemos a história do 13 de maio, mas esquecemos o que vem depois, a importância do negro para a realização de projetos e na vida política e social”, diz.

O advogado revela que a comissão da OAB também fará parte do projeto “Escola da Família”, que abriu as escolas da rede estadual nos finais de semana para a comunidade. “Pais e alunos poderão receber cursos de qualidade de atendimento para formação humana e profissional”, relata.