Se você levantou cedo nesta quinta-feira, muito bom dia! Se levantou tarde, já perdeu uma chance de pescar pela manhã! E para variar vamos falar de pesca. Existe coisa melhor?
Caros amigos, por mais incrível que possa parecer, o fato que vou narrar a seguir, me foi contado pelo querido “mestre da tesoura” o Zé Carlos, lá do Dinho`s, da rua Joaquim da Silva Martha, quadra 4. Ele me jurou que foi verdade tudo o que aconteceu.
Década de 60, no rio Jacaré-Pepira, município de Itaju, na Lagoa do Barreiro. Com saudade, nosso amigo Zé, conta emocionado, os bons tempos em que acompanhou seu pai, José Facchim, matuto e pescador dos bons, lá por aquelas bandas.
“Seu Zé Facchim” era respeitado por todo mundo que curtia a pesca e a caça na região. Mateiro experiente, não abria mão de sua “cartucheira 28”, que era o terror das incautas capivaras! Na época da cheia, o rio transbordava e suas águas invadiam o campo de suas margens sem pedir licença, formando lagoas transparentes, encobrindo o capim e dando um toque pantaneiro na região.
Era nessa época que o velho “Zé Facchim” deitava e rolava na caça. Certo dia, com seu velho barco, remando quase que silenciosamente, deslizava ele suavemente sobre as águas rasas da lagoa, à procura de capivaras. De pé, com o equilíbrio próprio de quem conhece o assunto, percebeu num rápido olhar, enormes curimbas que nadavam sob seu barco, no fundo claro e esverdeado do lago. À distância, observando, estavam noutro barco, o senhor Sebastião Salvador e o nosso Zé Carlos, bem mais novo e menos grisalho do que hoje.
Sebastião Salvador era outro “mateiro “ experiente, que formava dupla com “Seu Zé” na caça e na pesca. Para espanto deles, a famosa “cartucheira 28 “ já estava na mão do velho caçador, apontada para a água!
Foram vários tiros certeiros. Em seguida, a lagoa estava cheia de curimbas, boiando inertes, com um furo cada um, bem no meio do corpo! Foi uma verdadeira “caçada” de curimbas! E o furo nos peixes ainda facilitou o embarque.
“Recolhe aí pra nóis”, gritou o “caçador de peixes”! Obediente ao velho pai, o Zé Carlos, com a vara de bambu - naquele momento sem nenhuma outra utilidade -, recolhia os enorme curimbas, enfiando a mesma no “furo” deixado pela “28”. Formou uma “fieira” de 18 peixes, cujo peso ameaçava a estabilidade do barco!
Gente, confesso que até eu fiquei emocionado com a narrativa do Zé Carlos. Parecia até que eu estava lá, ouvindo os tiros e vendo aqueles peixes enormes, cada um com um furo “redondinho” no meio do corpo, boiando na lagoa. Dizem que lá em Itaju, o pessoal chegado à pesca até hoje comenta o fato. Criaram até um novo provérbio, para substituir o tradicional “Quem não tem cão, caça com gato”. Ficou assim: “Quem não tem capivara, caça curimba”. Um abraço ao querido Zé Carlos e a todos os “caçadores de peixes” do Brasil!
Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias.