08 de julho de 2026
Geral

Conselho tomará posse hoje à tarde

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os 20 membros do Conselho Municipal da Comunidade Negra tomam posse hoje numa sessão especial em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, que será realizada na Câmara Municipal de Bauru, às 14h. Do total de integrantes, 15 são representantes da sociedade civil e cinco do Poder Público de Bauru. Eles terão mandado de dois anos.

Conforme o JC já publicou, uma lei municipal de autoria do vereador Lelo Rodrigues (PFL) criou o conselho, que poderá auxiliar na busca por verbas que viabilizem os projetos voltados aos afro-descendentes, além de unir a comunidade negra em torno da conscientização.

“Várias organizações de negros discutiram os nomes que serão indicados (hoje). Procuramos priorizar aqueles que já têm uma trajetória de luta junto à comunidade negra”, explica o coordenador do Coletivo de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Roque Ferreira.

De acordo com ele, por conta dos esforços do movimento negro, o resgate da auto-estima entre aos afro-descendentes já vem acontecendo nos últimos cinco anos.

“A população tem feito uma resistência à ideologia do branqueamento”, diz Roque, que não nega a discriminação latente e alerta para o fato do negro continuar “invisível” no Brasil.

Na Europa, as diferenças são mais acentuadas, conforme explica Maria Elvira Mariano. Ele é considerada branca aqui e negra na Inglaterra, onde vive há pouco mais de dois anos.

“Não consegui abrir conta num banco (mais sofisticado) aqui por ser considerada negra. Minha cunhada brasileira ficou indignada e argumentou que a discriminação no Brasil é menor, mas não é. O preconceito aí é velado”, diz.

Para reverter essa situação é que a dirigente sindical Eliane Koti defende investimentos na criação de movimentos, núcleos, entidades e partidos que levem as políticas de combate à discriminação para compor uma frente classista de luta contra todos os tipos de opressão no País.

“A luta do negro faz parte de uma luta maior de direitos sociais da grande massa, que é discriminada socialmente”, conclui o diretor do Escritório Regional de Planejamento (Erplan), da Secretaria de Estado de Economia e Planejamento, Luiz Roberto Peres.