Faz tempo que não manifestamos nossas idéias para esta coluna. A intenção era de trazer comentários e convidar os leitores para raciocinar sobre duas leis municipais aprovadas e sancionadas; uma do vereador Lelo, propondo a inclusão de 32 alqueires na zona sul ao perímetro urbano, com o único objetivo de aumentar a arrecadação municipal através do IPTU; outra do ex-vereador Walter Costa propondo a redução de 30 para 20 metros o afastamento de construções de imóveis, sejam quais forem, de mananciais hídricos (esta me parece inconstitucional). Com a palavra a Promotoria do Meio Ambiente, o Ibama, o DPRN e demais órgãos competentes. Ambas aproveitam apenas as especulações imobiliárias e outros interesses menos esclarecidos. Tem razão a leitora Márcia Regina Nava Sobreira em sua oportuna e inteligente crítica neste jornal, no mês de setembro.
Mas mediante fato ocorrido recentemente, resolvi abordar um assunto muito mais importante para toda a sociedade e que serve de excelente exemplo às autoridades, principalmente pais e famílias deste país, porque mostra com muita clareza e convicção que crianças de hoje têm outra mentalidade com respeito a seus semelhantes, superando em muito esta geração supra citada, que não tem mais conserto e se propõe a administrar nossas instituições públicas. O fato: dia 22 de outubro, saio de casa e verifico que o carro tem um pneu furado. Dou pequena ré, paro em frente a minha casa, começo a abrir o porta-malas, quando um garoto que passava na calçada da frente, vê tudo e segue seu caminho. Quando comecei a trabalhar ouço uma voz infantil ao meu lado: “O senhor quer que eu ajude?” Olhei, era o garoto, com seus 12 anos, com uniforme do BAC e sua mochila. Admirado, aceitei prontamente e começamos a trabalhar, ele colocando sua mochila na calçada e mãos à obra! Ajudou-me a abrir e colocar o macaco, assim como em todas as fases da troca de pneus até o acerto final. Durante o trabalho, quando perguntado, respondeu: “Quem me ensinou foi meu avô; sempre ajudo quando ele precisa.”
Fique evidente que a maior parte do serviço foi minha, e o que ele fez foi com prazer, responsabilidade e solidariedade. Ah! esqueci de mencionar que tenho setenta e cinco anos e meio e ele percebeu. Já contei para muita gente o que ocorreu, feliz, e agora faço questão de tornar público aquele gesto, porque testemunhei a atitude de um futuro cidadão que não tomará medidas como as mencionadas no início deste, que são “responsáveis” pelos destinos de nossas cidades.
Terminado o trabalho, despedimo-nos e ele foi subindo a Júlio Maringoni em direção ao BAC receber os ensinamentos técnicos de futebol do professor Washington, que lá completa, através do esporte, a educação que as crianças recebem de seus familiares. Nome dele? Cláudio Júnior, que é mais um dos pequenos grandes garotos que conheci, acompanhando a prática dos esportes amadores desde 1968, que por opção se afastam da política. Eles sabem a razão...
Dr. Dirceu Alves da Silva - RG 1.138.259