Os conceitos “Dominação” e “Poder”, numa relação muito íntima, quase sempre estiveram presentes no cotidiano do negro: desde suas origens africanas, perdurando nos 500 anos da história brasileira e até os dias atuais. Foram epopéias de muito sangue, suor e lágrimas, mas também inimagináveis conquistas, nem sempre divulgadas ou valorizadas em sua essência. Aliás, o Brasil, maior potência latino americano, tem a “cara” do negro nos seus mais variados matizes, caracterizado pelos “bens culturais”, conservados e desenvolvidos mediante o cultivo do peculiar modo de ser.
Na opinião de Max Weber, a “dominação” se constitui num dos elementos mais importantes da ação social e desempenha com o “poder”, um papel considerável mesmo quando não se supõe isso à primeira vista. Este, o Poder, causa e/ou conseqüência da dominação, se fundamenta na honra social (prestígio), cujos fenômenos de distribuição numa comunidade (classes, estamentos e partidos), definem a “ordem social” ou seja, a relação de poder. Dentro desta ordem jurídica de dominação, as classes seriam fundamentos possíveis e freqüentes de ação social (ordem econômica), os estamentos definiriam comunidades de natureza amorfa (ordem social) e os partidos (esfera do poder), implicariam sempre a existência de uma relação associativa, pois pretendem alcançar, de maneira planejada, determinado fim.
Para Michel Foucault “rigorosamente falando, o “poder” não existe; existem sim práticas ou relações de poder, ou seja, o poder é algo que se exerce, que efetua, que funciona”. Toda pessoa ou comunidade tem um certo grau de poder sobre suas condições de existência. O poder como relação de força não é simplesmente um meio ou um instrumento. Ele é produto de um grupo social e ao mesmo tempo o domina. É resultado de conflito e também os provoca. O poder defende e ataca, exalta e derruba, une e separa , legitima e desautoriza, permite a vida e dá a morte: daí seu caráter idolátrico.
Para o prof. Ronaldo do Espírito Santos Rodrigues (UFRGS), em sua matéria “Educação e Poder” inserida na Revista do Ensino Médio nº1/2003-SEMT/MEC, “O nosso país está inserido em um grande esquema de poder, seja econômico, seja político. Como desfazer essas amarras e conseguirmos um espaço justo e honesto para nosso povo? Em sua opinião, (...) necessariamente temos que conquistar o espaço que desejamos, caso contrário, estamos fadados no mínimo, a ficar como estamos.
Nesse sentido, contextualisando à causa do negro, observamos que através da história, ele, o negro e seus descendentes por razões diversas, tem sofrido dominações por enfrentar uma relação de forças desiguais, desproporcionadas e contraditórias, onde o poder de uns poucos se exerce sobre e contra os interesses e as capacidades de outros, situação essa que se repete em nossa cidade, mas que é passível de transformação, pela participação.
Tito Pereira - CRO/DF-546