08 de julho de 2026
Geral

Venda de peixe fluorescente é suspensa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) suspendeu ontem à tarde a venda de um peixe fluorescente, que seria geneticamente modificado. Conhecido como TK-1, o suposto peixe transgênico emite um suave brilho verde decorrente da mistura dos genes da espécie Paulistinha com um tipo de medusa.

“É o primeiro animal transgênico comercializado em grande escala no mundo. Ele foi criado em laboratório e vem esterilizado. Esse peixe tem causado polêmica em alguns países. As organizações não-governamentais (ONGs), que são contra organismos geneticamente modificados, o apelidaram de Frankstein”, explica o aquarista Antonio Drimel Neto.

Ele foi notificado pela Semma a apresentar ainda hoje as licenças referentes à importação da espécie, cujo nome científico é Oryziaes latipes. O aquarista não informou ao JC de quem comprou o peixe, que foi vendido em Bauru por R$ 50,00. O preço de outras espécies naturais de água doce, por exemplo, variam entre R$ 1,00 e R$ 400,00.

“Achei que fosse custar mais caro. Fiquei sabendo da existência dele a partir de uma matéria que eu vi na televisão e depois através de pesquisas pela Internet. Primeiro comprei duas unidades para conhecer”, conta Neto.

Ele vendeu TK-1 para dois clientes em Bauru, sendo que um deles é o dentista Fernando Pedrin Carvalho Ferreira (o outro comprador não é da cidade).

“Como tenho outros peixes, fui me informar antes de comprá-los. Fui bastante criterioso porque gosto muito (de peixes), tenho até um lagozinho em casa. No começo, achei os dois (TK-1) meio distantes, arredios. Agora estão mais próximos”, fala Ferreira.

Em princípio, qualquer espécie de peixe ornamental de pequeno porte e não-agressivo pode conviver com os TK-1, informa Neto.

“Não podemos colocá-los junto com peixes carnívoros. Ele pode viver em aquários comunitários. O TK-1 é um peixinho asiático muito resistente e fácil de manter, mesmo em aquários sem aquecimento”, explica.

O Oryziaes latipes é bem adaptável porque suporta variação de temperatura entre 18º e 28º C, sendo que os peixes convencionais não resistem a variação superior a 2º C. Os peixes naturais de água doce vivem numa temperatura de 28ºC e aqueles de salgada são mantidos em ambientes 3ºC mais frios, informa Neto.

Ainda de acordo com ele, o suposto peixe transgênico se adapta bem tanto em aquários de água doce quanto em aquários de água salgada. “Ele é muito resistente e pode viver em águas de ph entre 6,5 e 8,0, com dureza de 9 a 19 dGH”, esclarece.

Dureza

O índice de dureza indica a dissolução de cálcio na água. A água de Bauru é considerada mole porque tem entre 4 a 8 dGH. As águas médias vão de 8 a 12 dGH; as duras de 12 a 18 dGH e as muito duras de 18 a 30 dGH.

“Algumas espécies de água doce suportam ph entre 6,6 e 6,8. Outras, entre 7,4 a 8,0. Já os peixes de água salgada estão acostumados com ph de 8,2. Ele (TK-1) é muito resistente”, reitera o aquarista.

A resistência justifica uma das preocupações do titular da Semma, Luiz Pires. “Não sei se esse peixe também é mais resistente à doenças. Ele pode demorar mais para apresentar sintomas de contaminação e prejudicar outras espécies que convivem com ele”, supõe o secretário.

Na notificação, ele também solicita ao aquarista uma declaração do estoque adquirido, com cópia da nota fiscal, além da declaração do número de peixes comercializados. Também exige a manutenção e isolamento dos espécimes não comercializados.

Atualmente, Neto tem entre 15 e 20 TK-1 em seu estabelecimento comercial. O peixe, que tem cerca de dois centímetros, é esterilizado por meio indolor e inóculo à saúde. “Deve ser através de um processo químico. Queremos chamar atenção que estes animais emitem fluorescência devido ao gene e não são submetidos a processo torturante, como acontece com alguns peixes pintados artificialmente”, conclui.

O TK-1 brilha no escuro especialmente quando iluminado por uma luz fluorescente de tonalidade azul.

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