Servidores municipais receberam cobrança do Bic Banco por empréstimos efetuados com desconto nos salários, nos últimos meses, que não foram pagos pela Prefeitura de Bauru. O Sindicato dos Servidores (Sinserm) recebeu as primeiras denúncias ontem, confirmando o desconto dos valores em folha e a não realização dos pagamentos pela Secretaria de Finanças.
O assessor jurídico da entidade, advogado Sandro Fernandes, orienta os servidores que sofreram o constrangimento a registrar boletim de ocorrência na polícia e a enviar a carta de cobrança ao Sinserm para que sejam tomadas providências.
Fernandes adianta que o sindicato estará notificando o banco a se retratar formalmente com os servidores que sofreram a cobrança irregular. “O banco deveria cobrar da prefeitura e não do servidor. O servidor teve o valor das parcelas do empréstimo descontadas em folha, do seu salário. Isso é pressão ilegal e imoral contra o servidor”, reclama.
Na avaliação do advogado, os servidores devem formalizar o registro policial de ocorrência. “Só assim o delegado depois estará diante de uma queixa formal para tomar as providências. Orientamos que todos registrem o fato na polícia e tragam as cópias para o sindicato com a carta enviada pelo banco”, reforça.
Para o Sinserm, o fato mostra que as dívidas da prefeitura com convênios são maiores do que se espera. “A prefeitura tem convênios com farmácias, lojas, banco e outros estabelecimentos. É preciso ver como estão cada um desses convênios, porque os valores estão sendo descontados do servidor”, cita.
A reportagem levantou que situação parecida ocorreu com a cooperativa dos servidores que trabalham na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).
Com valores atrasados por serviços prestados à prefeitura, a empresa municipal descontou em folha por empréstimos pessoais feitos a servidores mas também não vinha realizando os pagamentos. O presidente da Credserv, cooperativa dos servidores, Roberto Cerezini, alegou que os débitos em atraso estavam sendo negociados com a administração.
Pagamento
O chefe de Gabinete da prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, informou que o valor devido ao Bic Banco foi pago ontem, um pouco mais de R$ 100 mil. Ele confirmou que os recursos descontados do salário do servidor ainda não tinham sido pagos à instituição financeira.
Mas a retenção de valores do servidor sem os devidos repasses gerou acréscimos que estão sendo cobrados pelo banco. Marsola argumenta que a decisão pela regularização da dívida estava acertada desde a terça-feira, mas que a liberação foi confirmada ontem.
O chefe de Gabinete pede que os servidores desconsiderem a carta de cobrança enviada pelo banco. “Quem recebeu a cobrança deve desconsiderar porque pagamos todas as parcelas descontadas em folha”, comenta.
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'Absurdo'
A servidora Terezinha Aparecida Martins, que trabalha há dez anos na prefeitura, foi uma das atingidas pela cobrança irregular. Ela conta que emprestou R$ 1.000,00 no início do ano para ser pago em 18 prestações. “Cada parcela é de R$ 92,00 e a prefeitura descontou todo mês. Não é justo tirar o dinheiro da gente e não pagar o banco. É um absurdo”, reclama.
Terezinha conta que inúmeros colegas da administração sofreram o mesmo transtorno que ela. “Mas muita gente não quer falar, tem medo de perseguição. Mas eu não tenho. É errado e eu tenho que falar”, adverte.
A auxiliar de enfermagem informa que o empréstimo foi usado para uma pequena reforma em sua casa. “O banco enviou a carta de cobrança dando cinco dias para acertar. O banco funcionava na rua Antonio Alves, perto da avenida Duque de Caxias”, acrescenta.