Questionado sobre o que o atual governo brasileiro poderia fazer para acelerar a entrada de empresas de menor porte no setor exportador, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega - que esteve ontem em Bauru ministrando palestra - aponta que mais articulações podem ser feitas visando este objetivo.
“O governo tem poucos instrumentos para agir diretamente neste setor, como dar subsídios para as empresas exportarem, por exemplo. Mas pode agir no sentido de promover a articulação em torno dos arranjos produtivos locais, ou seja, agrupar empresas de um mesmo segmento e gerar ganhos de eficiência e competitividade através da cooperação entre elas (os chamados consórcios entre empresas para conquistar mais facilmente o mercado externo)”, aponta.
Para o ex-ministro, outra forma de ajudar as empresas é preservar o rumo das atuais reformas, o que resultaria num sistema tributário mais racional, que por sua vez, aumentaria as chances das empresas se tornarem mais competitivas. Além disso, ressalta a necessidade de continuar investindo em educação.
“Os países que crescem tecnologicamente e tornam-se mais competitivos são aqueles que universalizaram o ensino fundamental, coisa que o Brasil está conseguindo agora. Buscar reformas que aumentem a previsibilidade do Judiciário também é importante, para evitar que o governo precise se abastecer de recursos nas transações financeiras. Há um mundo de coisas a se fazer, mas que se fazem de maneira lenta. O que importa é que ocorram de maneira progressiva, e eu acho que é exatamente isso que está ocorrendo no Brasil”, finaliza o ex-ministro da Fazenda.