09 de julho de 2026
Regional

Acidente na SP-225 mata um e fere 58

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Espírito Santo do Turvo - Um acidente entre um ônibus de trabalhadores rurais e um caminhão, no início da manhã de ontem, provocou a morte de uma pessoa e deixou 58 feridos, muitos deles em estado grave. Todas as vítimas foram encaminhadas para a Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo (100 quilômetros a Sudoeste de Bauru), e até o final da tarde de ontem algumas aguardavam transfêrencia para unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais de Ourinhos, Marília ou Bauru.

De acordo com o delegado titular do 1.º Distrito Policial (DP) de Santa Cruz do Rio Pardo, Renato Caldeira Mardigan, o acidente ocorreu por volta de 6h40, no trevo em frente à empresa Agroindustrial, no quilômetro 290 da rodovia Bauru-Ipaussu (SP 225), no município de Espírito Santo do Turvo (62 quilômetros a Sudoeste de Bauru). O ônibus transportava 56 cortadores de cana, além do motorista e sua esposa, que deixavam o pátio da usina a caminho do trabalho.

O motorista do ônibus, João Maria Ribeiro, conta que havia muita neblina no início da manhã. No momento em que ele parou no trevo, antes de cruzar a pista, não conseguiu ver o caminhão se aproximando pela rodovia. “Eu ia pegar a estrada, olhei para cima e não vi ninguém. O caminhão estava com o farol apagado. Quando eu entrei na pista, vi que o caminhão já estava em cima”, relata. Ele teve escoriações pelo corpo e sofreu um corte na cabeça.

O caminhão Mercedes Benz, com placas de Bariri e carregado com gordura vegetal industrializada, trafegava no sentido Bauru-Espírito Santo do Turvo e acertou a lateral traseira do ônibus. O motorista Celso Cruz, 58 anos, estava sozinho. Ele ficou preso nas ferragens da cabine, e segundo Mardigan, as primeiras pessoas que chegaram ao local disseram que ele estava calmo e pediu para que as outras vítimas fossem atendidas primeiro.

“O ferimento é tão grave que o organismo dispara algumas substâncias, a adrenalina fica muito alta, e a pessoa não percebe que está ferida”, comenta o delegado. Cruz morreu ainda no local, antes de ser retirado das ferragens do caminhão.

O trabalhador rural Daniel Mendes da Costa conta que o ônibus foi jogado a cerca de dez metros, e depois capotou. “O ônibus já ficou destruído, com as rodas para cima. Aí o pessoal começou a ver o que tinha acontecido, começou a chegar ajuda e tirar a gente de lá”, relata. Costa teve apenas ferimentos leves e escoriações.

Segundo o delegado, as vítimas começaram a ser socorridas no local pela própria equipe da Agroindustrial. Momentos depois, chegaram unidades móveis de resgate do Corpo de Bombeiros e da Santa Casa de Santa Cruz, para onde elas foram encaminhadas. “Um guincho da usina teve de levantar o ônibus, para que as pessoas fossem retiradas por baixo”, afirma.

Enquanto as vítimas eram socorridas, funcionários da empresa começaram a limpar a gordura vegetal espalhada pela rodovia, para evitar outros acidentes. Nenhum representante da Agroindustrial foi encontrado pela reportagem para comentar o acidente.

O supervisor da Santa Casa, Edjalma Dias, relata que toda a equipe médica foi mobilizada para atender as vítimas, e os enfermeiros que encerravam seu plantão às 7h também permaneceram no hospital para auxiliar. “O pessoal do turno novo entrou e ainda tivemos de chamar mais pessoas em casa. Isto parecia um campo de guerra, pois não estamos preparados para um acidente destas proporções. Mas a equipe se portou bem, com muita calma, e todos foram atendidos”, comenta.

De acordo com Dias, duas pessoas estão em estado muito grave, com traumatismo craniano, e uma delas com comprometimento cerebral e neurológico. Dois trabalhadores passaram por cirurgias de tórax, dois tiveram fraturas nas pernas, e a maioria foi diagnosticada com contusões, escoriações, braço quebrado e cortes. Até o início da noite de ontem, 45 pessoas permaneciam internadas em observação e seis continuavam na UTI.

O delegado Mardigan afirma que a perícia técnica vai apurar os motivos do acidente. “Em tese, o motorista do ônibus estaria errado. Mas há a neblina, o fato deles afirmarem que o caminhão vinha com o farol apagado. Eu determinei que os dois veículos fossem apreendidos, pois ambos sofreram perda total”, conclui o delegado.