Dois por cento dos pacientes internados no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, que está funcionando há um ano, são de localidades distantes de Bauru, incluindo cidades como Campinas, Presidente Prudente, Marília, Assis e até da Capital. Os pacientes de fora chegam ao hospital através da Central Reguladora de Vagas (CRV), órgão da Secretaria do Estado da Saúde, quando não encontram vagas em unidades de saúde de suas cidades ou regiões.
De abril a outubro deste ano, foram internadas no HE 2.779 pessoas, das quais 60 eram oriundas de localidades fora da área da Direção Regional de Saúde (DIR-10), que engloba Bauru e mais 38 cidades da região, segundo a assessoria de imprensa do hospital. Uma desses pacientes foi Rafaela Martins Alves, 2 anos, que morava em Sorocaba, mas só conseguiu vaga no Sistema Único de Saúde (SUS) no HE.
Com infecção generalizada causada por catapora, a menina ficou internada na UTI pediátrica em Bauru cinco dias, mas acabou morrendo no último dia 10. Antes de chegar ao HE, a CRV tentou, mas não conseguiu vaga em UTI pediátrica em hospital em Sorocaba ou em cidade próxima, informa Eleide Bérgamo, assessoria de imprensa do HE.
Para Bérgamo e para Affonso Viviani Júnior, diretor técnico da DIR-10 o índice de internação de pacientes de fora está dentro do esperado e não chega a tirar leitos de moradores de Bauru e região. Viviani ressalta que a DIR-10 recebe pacientes de fora, mas envia os seus para internação em outras localidades praticamente na mesma proporção.
De abril a setembro deste ano, os hospitais da DIR-10 internaram 51 pacientes de fora, mas enviaram para unidades de saúde de outras DIRs 45 pessoas, de acordo com Viviani Júnior. “A diferença entre o número de pacientes que recebemos e que enviamos é muito pequena”, diz.
O diretor técnico da DIR-10 afirma que o paciente só é encaminhado para um hospital distante de onde mora se não houver vaga na sua região ou o atendimento especializado que ele precisa. “Ocorre muito de, em determinados momentos, a DIR não conseguir vagas em seus hospitais para uma determinada especialiadade. Então, a CRV busca a vaga mais próxima”, explica.
Em setembro, por exemplo, a CRV da DIR-10 gerenciou 211 vagas para internação e apenas 11 pacientes desse total foram levados para hospitais de outras DIRs, de acordo com Viviani. A CRV tem a função de receber pedidos de exames, serviços e internações e direcionar os pacientes para um centro de saúde ou hospital onde haja vagas ou atendimento disponível.
A taxa de ocupação dos 211 leitos HE em funcionamento atualmente é de 80%, segundo Eleide Bérgamo. Portanto, apesar de receber pacientes de fora, o hospital trabalha com ociosidade. A meta é que a unidade esteja funcionando com toda a sua capacidade, 380 leitos, até o final de 2005.
A previsão é aumentar o número de pacientes de fora na DIR-10 com a inauguração da UTI para queimados no HE, prevista para março de 2004. “A UTI para queimados do Hospital Estadual será o quarto ou quinto serviço credenciado pelo SUS nessa especialidade no Interior do Estado de São Paulo. Então vamos sim receber mais pacientes de fora”, diz Viviane Júnior.