08 de julho de 2026
Cultura

'A Morta'

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” recebe hoje e amanhã, às 21h, a peça “A Morta”, de Oswald de Andrade. O espetáculo é a primeira montagem do grupo formado pelo Centro de Pesquisa e Produção Teatral (CPPT) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), criado este ano para estimular a pesquisa e a prática do teatro na universidade.

A entrada nos dois dias é gratuita e os ingressos devem ser retirados com antecedência na bilheteria do teatro ou no departamento de comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), na Unesp.

Escrita na década de 30, “A Morta” é um dos principais trabalhos de Oswald, que nele se utiliza de uma narrativa poética e bem-humorada para criticar os paradigmas da sociedade da época. O texto foi escolhido pelo grupo de 14 alunos/atores selecionados entre mais de 100 candidatos da maioria dos cursos da universidade.

A direção do espetáculo - que para os alunos também é um projeto de extensão para sua formação acadêmica - é do professor Sivaldo Camargo, que atualmente desenvolve atividades de extensão cultural na Faac. Segundo Sivaldo, a intenção do grupo do CPPT é excursionar com a peça por todos os câmpus da Unesp no próximo ano.

Atividade interdisciplinar

O CPPT é um antigo sonho dentro da universidade. Para o seu coordenador, o professor Fábio Negrão, é a oportunidade de promover a interação interdisciplinar e interdepartamental no câmpus. A ficha técnica da peça mostra isso. Além dos atores (de cursos da Faac e de engenharia), todos envolvidos no projeto - criação de cenário, figurino, iluminação, etc. - são alunos, 34 no total, de diversos cursos da Unesp que, no dia-a-dia, provavelmente nem se relacionam.

Cada núcleo que compõe o CPPT é coordenado por um professor. A produção editorial é orientada pelo professor Pedro Celso Campos, a pesquisa em artes plásticas, adereços e vestuário pelas professoras Rosa Maria Araújo Simões e Solange Leão. Quem coordena a equipe de alunos responsável pelo cenário e espaço cênico é o professor José dos Santos Laranjeira. O professor Fábio Simões Grossi cuida da programação visual, a professora Adriana Cardoso Nogueira orienta a documentação e pesquisa audiovisual. Sivaldo Camargo orienta os alunos na parte de sonoplastia e iluminação.

O centro de pesquisa conta com o apoio institucional e financeiro da Pro-Reitoria de Extensão (Proex), através do Programa de Atividades Culturais (Pac).

• Serviço

Peça “A Morta”. Hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Municipal. Entrada gratuita. Realização: Faac, Unesp, Prefeitura Municipal, Proex e Pac. Apoio: Unesp FM, 96 FM e Jornal da Cidade. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.

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A peça

“A Morta” foi escrita em 1937 pelo escritor Oswald de Andrade e é considerado por muitos como o projeto mais radical do autor modernista, que aborda a luta entre os opostos: o novo e o antigo, os mortos e os vivos, o classicismo e o modernismo, o burguês e o proletário...

Criada em plena Era Vargas, a obra parte do conflito amoroso entre o Poeta e sua Musa para criticar aos modelos pré-estabelecidos de linguagem.

Oswald - um dos principais expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922 - não sugere que o Modernismo seja a única saída, ao contrário, propõe um rompimento geral de conceitos lingüísticos, políticos e econômicos, misturando de forma original sua preocupação com os temas sociais, reação à centralização política e o debate sobre a pesquisa estética.

Segundo Sivaldo Camargo, “Oswald de Andrade representa a contribuição que o Modernismo deu para a renovação da literatura cênica entre nós, com sua crítica de costumes risonha, mordaz e contundente”. A apresentação do grupo da Unesp, que inova no uso de algumas técnicas, segundo o diretor, promete surpresas para os espectadores.