Eles são componentes pequenos, mas podem trazer grandes problemas, principalmente para o bolso, se forem esquecidos pelos donos de veículos. Por isso, cuidar da manutenção dos filtros automotivos é essencial para evitar futuras dores de cabeça mecânicas e “rombos” no orçamento doméstico.
Os principais filtros existentes nos carros são de quatro tipos: de ar, do ar-condicionado, de combustível e de óleo. Apesar das diferenças entre si, possuem basicamente a mesma função: impedir a entrada de impurezas em seus respectivos sistemas e componentes do motor.
Segundo o engenheiro mecânico Marcos Roberto Bormio, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, os do ar e do ar-condicionado existem para reter materiais sólidos ou tudo aquilo que esteja em suspensão no ambiente que possa poluir o equipamento, como folhas e a poeira. “Esta é a maior inimiga do motor”, enfatiza.”
Bormio explica que tais detritos são abrasivos e, ao ingressarem nas partes internas dos motores, provocam desgaste prematuro de uma série de componentes. “O filtro de ar serve, acima de tudo, para proteger a máquina”, destaca o docente.
Por isso, se o condutor notar que seu automóvel está mais “beberrão”, deve desconfiar. “Consumo excessivo é sinal de filtro desgastado. Em vez de depurar o ar, tornar-se-á um obstáculo à sua passagem, forçando a utilização de mais combustível para o carro rodar”, ressalta Bormio.
Já um filtro de ar-condicionado em mau estado faz com que o sistema perca eficiência na climatização do interior do veículo. “O motorista sente que ele não gela direito”, esclarece. “Entre os quatro, sem dúvida ele é o mais negligenciado pelos donos de automóveis”, acrescenta o engenheiro.
Outro que avisa quando sua vida útil já foi “para o espaço” é o de combustível. Os maiores indícios são falhas e perda de potência. “O carro fica engasgando e várias peças do sistema de injeção terão sua vida útil abreviada”, diz Bormio. “Se for um veículo carburado, a situação é ainda pior”, complementa.
O único que não permite ao motorista identificar problemas é o de óleo. “Se ele perde sua capacidade de filtragem, há uma válvula que permite a passagem do líqüido, mesmo se este estiver sujo”, frisa o professor.
Bormio destaca que o ideal, sempre, é manter os quatro tipos em perfeito estado. Mas, se a grana anda “curta”, os donos de veículos devem esforçar-se para nunca descuidar dos de ar e óleo. “São os que podem causar os maiores danos aos motores”, enfatiza o engenheiro.
Ele exemplifica que manter um filtro de óleo ruim pode acarretar até a perda completa do motor. “A circulação de um líqüido com detritos pode fazê-lo fundir devido à abrasão gerada pela sujeira”, alerta Bormio. “Um conserto destas proporções varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil”, acrescenta. Já um de ar nas mesmas condições forçará o desgaste antecipado de componentes onerosos para se reparar, como cilindros, anéis e pistões.
Segundo o engenheiro, um filtro de combustível velho não gera danos tão grandes, mas provoca transtornos. “Ele pode queimar uma bomba de combustível, cujo refil custa cerca de R$ 150,00. Mas, uma avaria dessa natureza causa parada completa do veículo, forçando gastos adicionais com guinchos ou deslocamento de mecânicos”, alerta Bormio.
Entre os quatro filtros, o do ar-condicionado é o único, conforme o professor da Unesp, a não influenciar diretamente o desempenho do automóvel. “Mesmo se ele estiver gasto, não comprometerá o rendimento do veículo, e sim do próprio sistema de climatização”, sustenta o engenheiro.
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Trocas
Se você não quiser ter problemas no motor originários dos filtros, respeitar e identificar o momento das trocas são procedimentos fundamentais. Para o engenheiro mecânico Marcos Roberto Bormio, a principal medida é seguir as recomendações dos fabricantes.
Apesar disso, há quilometragens médias que podem servir de parâmetros. Os de ar devem ser substituídos a cada 20 mil ou 30 mil quilômetros, período que varia conforme a utilização do automóvel. “Esta é uma faixa recomendável para autos que rodem em vias pavimentadas. Se eles são usados prioritariamente em estradas de terra, certamente o tempo de manutenção deverá ser encurtado”, alerta.
O período de troca dos de combustível também varia. Conforme o engenheiro, para carros movidos a gasolina, o intervalo médio deve ser de 15 mil quilômetros, enquanto para os a álcool de 10 mil. “Isso porque este possui mais resíduos que a gasolina”, justifica Bormio.
Já os de óleo devem acompanhar a substituição do mesmo fluido para o motor. “Muitos defendem a troca do filtro a cada duas do óleo do motor. Mas entendo que o ideal é a substituição conjunta”, pondera o engenheiro. Para o do ar-condicionado a recomendação é mais simples: siga a do fabricante.
No quesito limpeza, apenas os do ar de admissão para o motor e do ar-condicionado podem ser higienizados. Segundo o engenheiro, os de combustível e de óleo devem sempre ser trocados. “Eles costumam ser blindados justamente para se evitar que sejam reaproveitados. O melhor procedimento é a substituição”, diz Bormio. Mas, como limpá-los? “Deixe para profissionais especializados”, conclui.