08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Do que você tem medo?


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Claro que o “arrastão” é a evidência clara e gritante de que a violência que vemos nas grandes capitais está mais próxima da realidade da nossa cidade do que imaginamos. Pequenos furtos a mão armada em comércios locais toda semana se tornam parte do dia-a-dia. Vemos crianças crescerem sem educação, comida, apanhando dos pais, sujas e sem expectativa de futuro, que futuro? E para quem já é marginalizado, o caminho é se tornar realmente um marginal. Aprendemos a conviver com essa realidade e assim nos tornamos cúmplices dessa realidade. Que vergonha!

O porquê do espanto da avenida Getúlio ser um alvo e do “ataque” ser um grito de socorro: Acordem, estamos aqui! No jornal diz que a avenida Getúlio Vargas é um ponto de encontro dos jovens de Bauru pensei que jovens? A grande maioria dos jovens de Bauru à noite ou está em casa ou está em botequins, um bar ou qualquer coisa que se possam pagar, que possam esquecer a vida. Não há emprego, não há educação pública, não há saúde, não há opções de lazer. Todos os direitos sociais são negados ao jovem, e pior, são privatizados, enfim, não tendo educação para a cidadania, para o lazer, etc o que se pode fazer é gritar, bater, apanhar, roubar, matar etc.

Por que a classe média, se existe, é tão hipócrita? Por que a violência que milhares de crianças e adolescentes sofrem em casa, o descaso e omissão dos direitos que lhe são negados, porém, que já estão previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, não merecem atenção, espanto, ação e páginas dos jornais? Imaginem Bauru ou o Brasil daqui a alguns anos. Podemos tentar mudar a realidade ou podemos fingir que esse é mais um caso de polícia, aliás, que polícia?

Aline Sayuri Galelli - RG33.807.953-8