09 de julho de 2026
Geral

Cursos atraem família para as escolas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A oportunidade de aprender algo que possa servir como fonte alternativa de renda tem sido uns dos principais atrativos do Programa Escola da Família na Escola Estadual Professor José Ranieri (Vila Hipódromo), em Bauru. Lançado em agosto deste ano, o projeto começou tímido, mas a oferta gratuita de cursos, serviços e atividades esportivas já atrai cerca de 140 adultos e crianças para a instituição aos finais de semana. O programa tem sido um sucesso em várias outras escolas.

A diretora da unidade, Solange Angélico, conta que a programação vem sendo modificada conforme a aceitação da comunidade. “Fizemos uma pesquisa com pais e alunos para saber o que eles gostariam de ter na escola. As crianças vêm em busca de lazer e os adultos pedem cursos que possam gerar algum retorno financeiro”, comenta.

Com essas informações e a ajuda de voluntários, empresas e universidades, a escola tem implantado diversas atividades. “Os cursos de culinária e artesanato são os mais procurados”, comemora a educadora responsável pelo projeto na instituição, Elaine Cecília da Silva.

Voltadas principalmente para as mães de alunos, as aulas de culinária ensinam sobre aproveitamento e reaproveitamento de alimentos. Nos cursos de artesanato são ensinadas técnicas variadas, incluindo crochê, macramê, vagonite, bordado de fitas, ponto cruz, ponto russo, pintura em tecidos e confecção de bonecos.

A aluna Raíssa Duarte, 9 anos, conta que já recebeu duas encomendas. “Da vizinha e de uma amiga de serviço da minha mãe, que viram a boneca que eu fiz na aula”, explica. “Além de ser uma forma de ganhar dinheiro, é uma atividade que as crianças levam para fazer em casa”, salienta a instrutora Cilene Roma do Carmo.

Além das aulas em andamento, a escola já organiza novas turmas para os cursos de manicure e preparo de produtos de limpeza. As inscrições estão abertas.

Entre as atividades de lazer, as mais procuradas são as sessões de cinema (filmes e desenhos infantis) e as aulas de capoeira, dança, rap, flauta doce, desenho, vôlei e futebol - todas acompanhadas por profissionais voluntários.

“Para a gente que trabalha a semana toda, é muito gratificante vir à escola ajudar essa garotada. Comecei a treiná-los há duas semanas e já estamos pensando em montar um time para participar de campeonatos infantis”, comenta o ferramenteiro Adelmo Francisco de Assis, treinador de futebol no projeto.

Segundo a educadora Elaine, o programa também tem algumas ações sociais. Uma delas é o corte de cabelos gratuito realizado todo último domingo do mês por voluntários de uma escola de cabeleireiros.

Outra iniciativa são as aulas de reforço de português e matemática. “Os professores indicam os alunos que apresentam mais dificuldades e nós os convidamos para o reforço. A maioria deles comparece”, informa a universitária Cibele de Lima, voluntária pelo Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb).

Alunos ouvidos pela reportagem comentam que a participação dos pais é pequena porque a maioria trabalha aos finais de semana e não pode ir à escola. “Mas a gente vem, porque aqui temos atividades que não temos na rua. É melhor estar aqui do que lá fora com pessoas ruins. Eu venho. Faço aula de capoeira, de desenho, vejo os jogos e ainda ajudo em alguma coisa”, destaca Cinthia Escaravato, 10 anos.

“Eu jogo futebol, capoeira, faço aula de pintura. Venho desde o começo, todo final de semana, e estou gostando muito”, observa Bruno Buareto Giraldi, 10 anos. “Eu venho aprender capoeira, dança, vôlei, desenho... É muito legal vir à escola no final de semana, porque a gente conhece mais gente”, completa Bruna Cristina Soares dos Santos, 9 anos.

“Tenho dois filhos na escola. Eu venho com eles todo final de semana, desde o começo. Minha esposa, inclusive, é voluntária no curso de artesanato. Acho o Programa Escola da Família uma iniciativa muito boa. É um incentivo para as crianças não ficarem na rua”, salienta o agente de escolta Hilso Aparecido do Carmo.

De acordo com a diretora, a escola tem, atualmente, 728 alunos matriculados. “A participação no programa tem sido de aproximadamente 100 crianças e 40 adultos por final de semana. É pouco, acho que pelo menos metade dos alunos deveria estar aqui. Mas é um processo que exige conscientização. Tudo o que é novo assusta e precisa de algum tempo para se instalar”, defende.

• Serviço

A Escola Estadual Professor José Ranieri fica na rua Engenheiro Xerxes Ribeiro dos Santos, 12-40, Jardim Hipódromo.