09 de julho de 2026
RH & Tendências

Marketing pessoal pede humildade

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Existem pessoas que têm o dom de trabalhar o marketing pessoal, outras acabam tendo a apresentação prejudicada pela timidez. Mas qual seria a medida ideal para mostrar ao mundo quem você é e o que faz?

Na opinião da professora de etiqueta e marketing pessoal Glorinha Braga Ortolan, no começo de uma carreira ou de uma busca a pessoa pode abusar, ou seja, deve aparecer, mas com bom senso. Aliás, bom senso é uma palavra chave em todos os instantes da vida.

Glorinha aponta que esse “mostrar” precisa revelar o estilo da pessoa, sua maneira de ser, agir e até de vestir. “É preciso firmar uma imagem. Não é indicado um dia estar de cabelo preto, no outro vermelho e no seguinte loiro. Identidade é fundamental.”

Nesse sentido, o consultor de marketing e comunicação verbal Fernando Mantovani compara ao início da carreira profissional, quando existe a necessidade de aparecer mais. Mas adverte para os quatro pilares de um julgamento: o que a pessoa faz, sua aparência, o que ela diz e como ela diz.

“Você começa a conversar com uma pessoa e em cinco minutos pergunta o que ela faz. Ela pode responder: ‘sou pedreiro e coloco um tijolo em cima do outro’. Aí você pergunta para outra pessoa que também responde que é pedreiro, mas acrescenta ‘eu estou construindo o Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo e que vai ficar para a posteridade’. Esse outro pedreiro sabe fazer marketing pessoal do que ele faz, mas os dois fazem a mesma coisa.”

Mantovani também aponta que no julgamento pela aparência, principalmente no ambiente profissional as discrepâncias devem ser evitadas. “Já imaginou um professor de etiqueta dando aula de jeans, com tatuagens e piercings ou um médico sem uniforme, prejudica a credibilidade.”

Afinal, vivemos num processo de análise contínua. A professora Glorinha acrescenta que a primeira imagem é muito importante por ser parâmetro para análises futuras.

Já as palavras têm peso redobrado, e a ausência delas também. É preciso expor idéias e atitudes. “Se você não mostrar para o mundo sua competência, ninguém vai descobrir seu valor”, pondera Mantovani.

Dessa maneira, uma pessoa muito inteligente mas que não abre a boca estará se prejudicando por não conseguir verbalizar suas habilidades.

O consultor avalia que não basta ser competente, precisa parecer competente e conseguir comunicar isso, transmitir a informação do cérebro dela para um outro, pois ninguém tem o dom de entrar na mente ou no coração de uma outra pessoa.

É como, por exemplo, ir a uma palestra e sair de lá renovado com a mensagem ou com a forma em que ela foi transmitida.

Nesse sentido, conversar com um pescador simples e cheio de histórias pode ser muito mais interessante do que conversar com um PhD de Oxford, que apesar de ser um intelectual, dispensa o conteúdo humano.

Para reverter esses bloqueios, os cursos de oratória são uma boa opção, porque dão segurança e coragem. Os consultores aconselham a preparação e lembram que, nos Estados Unidos, a oratória é matéria curricular e existem até campeonatos.

Por outro lado, se em muitas ocasiões um tímido leva vantagem por ser mais prudente, pensar duas vezes e se envolver menos em acidentes ou confusões, quando for chamado a uma entrevista num restaurante talvez não consiga dormir tamanha a sua preocupação. Nestes casos, não adianta MBA se o candidato não souber falar. Mas seja tímido ou falante, a humildade deve estar ao lado da etiqueta e da oratória.

Hoje, contrata-se pela competência e descarta-se pela prepotência, apontada pelos consultores como o pior defeito de um profissional.