09 de julho de 2026
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Educação tem razões...


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O MEC reclama de falta de recursos, mas deve ter boas razões para recomendar que as escolas públicas ponham analfabetos para ler e produzir textos, num exemplo raro de desperdício. É tão difícil aprender a ler dessa maneira, que uma pesquisa recente da Fundação Carlos Chagas, realizada em 47 municípios, com 13 mil crianças, mostrou que 96% delas saem da 1ª série sem saber ler e escrever. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) contaram, em todo o País, 33 milhões de alunos formalmente alfabetizados totalmente analfabetos, e 59% dos que cursam a 4ª série incapazes de ler e de escrever de forma adequada.

Essa multidão de crianças e de jovens sem domínio da leitura e da escrita, que avançam pelas séries à custa de promoções continuadas, ciclos pedagógicos e classes de aceleração, implicam um desperdício de recursos que está muito longe de poder ser estimado. Isso fica mais evidente quando sabemos que crianças em Cuba, França, Canadá, Israel, Chile, EUA, Portugal, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália, Suécia e muitos outros países aprendem a ler e a escrever em um ano, de forma muito parecida, mas completamente diferente da que oficializamos aqui.

Os analfabetos aprendem inicialmente as relações entre as letras e os sons e aprendem que as palavras são seqüências de letras que representam sons. Desenvolvem a compreensão e a correção de tudo que lêem e escrevem, lendo e escrevendo. Passam as séries seguintes apenas quando mostram que adquiriram as competências indispensáveis. Sabemos muito bem que a educação tem razões. Mas precisamos discutir as razões do desperdício.

O autor, Silo Meireles, é engenheiro industrial com extensão na Universidade de Paris, pesquisador independente e diretor da Editora Primeira Impressão.