Pederneiras – O auxiliar de escritório Carlos Alessandro Alves Lima, 22 anos, morreu anteontem em Pederneiras (30 quilômetros a Leste de Bauru), após levar um tiro na cabeça . Esse é o segundo jovem assassinado neste mês no município, de cerca de 40 mil habitantes.
No ano, já chega a seis o total de homicídios na cidade, o triplo do registrado durante 2002. O fato tem despertado a preocupação da polícia local.
Segundo o delegado-adjunto de Pederneiras, Eduardo Samuel Sganzela, o crime de anteontem ocorreu por volta da 0h30, no pátio do Posto das Nações, localizado na avenida Brasil, Jardim das Palmeiras. A avenida é um tradicional ponto de encontro de jovens nos fins de semana e tinha grande concentração de pessoas na hora do assassinato.
Lima estava no posto acompanhado de amigos e teria sido baleado por engano pelo acusado Elton Rocha de Oliveira, de 19 anos.
Segundo investigações preliminares da polícia, Oliveira teria tentado acertar um rapaz com quem havia se desentendido recentemente. Entretanto, a bala atingiu a lateral da cabeça de Lima, que morreu antes de dar entrada no Pronto-Socorro de Pederneiras.
Após o disparo, Oliveira fugiu do posto, sendo abordado pouco depois por uma viatura policial. O acusado teria negado a autoria do crime, mas foi encaminhado para a delegacia, onde foi submetido a exame residuográfico e liberado.
Na tarde de anteontem, a polícia recebeu denúncias anônimas que apontavam Oliveira como o autor do disparo. Diante disso, uma viatura foi deslocada até a chácara da avó do acusado, localizada na zona rural do município, e o jovem foi conduzido novamente até a delegacia. Segundo Sganzela, em depoimento Oliveira confessou o crime.
O acusado teria afirmado que estava no posto desarmado quando avistou seu desafeto (cujo nome está sendo preservado pela polícia). Depois disso, teria se deslocado até sua casa, na Vila Ruiz, para pegar um revólver calibre 38. De volta ao posto, teria disparado contra o rival, que, segundo ele, caminhava em sua direção. Entretanto, acertou o auxiliar de escritório, que estaria próximo ao alvo.
“Ao invés de atingir a pessoa que queria, acabou atingindo outra, que seria até conhecido dele. Ele alegou que era amigo desse rapaz que atingiu. Mas isso é a versão dele”, aponta Sganzela.
Oliveira teria afirmado em depoimento que seu desafeto o ameaçou de morte na última semana, por isso teria efetuado o disparo na intenção de acertá-lo.
Segundo Sganzela, o desfecho desse acerto de contas por pouco não fez mais vítimas, já que cerca de 200 pessoas concentravam-se no local do crime. “Ele poderia ter atingido três, quatro pessoas. É que o projétil acabou se alojando na caixa craniana da vítima. Caso contrário, poderia ter acertado mais pessoas”, afirma.
Prisão temporária
A polícia pediu a prisão temporária do acusado, que foi conduzido à Cadeia Pública de Avaí. Ele deve responder por homicídio qualificado, cuja pena prevista vai de 12 a 30 anos de prisão.
O acusado tem passagem anterior pela polícia por porte ilegal de armas. De acordo com Sganzela, o revólver 38 apreendido anteontem também não tinha registro.
O corpo da vítima foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e submetido à necropsia.
Segundo o delegado, o fato causou grande comoção na cidade. “As pessoas estão indignadas porque estão ocorrendo muitos homicídios aqui”, afirma.
No último dia 9, o adolescente Claudecir da Silva, 17 anos, foi assassinado a tiros no bairro Pederneiras 5. Dois homens teriam chegado no local em uma motocicleta verde e, após uma breve conversa com Silva, teriam efetuado os disparos. Até ontem, os acusados não haviam sido presos pela polícia.
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Alarmante
Antes mesmo de encerrar as estatísticas do ano, o município de Pederneiras já registra três vezes mais homicídios do que o total de 2002. O crescimento, segundo o delegado-adjunto de Pederneiras, Eduardo Samuel Sganzela, tem sido motivo de preocupação para a polícia. Ele define a situação como “alarmante”.
“Eu estou aqui há três anos e nunca vi tantos registros como agora”, afirma. “O problema é que o homicídio é um crime difícil de prever”, justifica.
Para o delegado, o suposto aumento da atividade de tráfico no município estaria contribuindo para o crescimento dos índices de assassinato. “Mas existem outros fatores, como briga de gangue e motivo fútil”, afirma.
Segundo Sganzela, nos próximos dias o delegado da Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, deve se reunir com a equipe de Pederneiras para traçar estratégias de combate ao crime na cidade.
O delegado acredita que para reverter esse quadro é necessário reforçar o trabalho preventivo. Entretanto, segundo ele, isso requer maior investimento em equipamentos e material humano.