O conselho deliberativo do Hospital Beneficência Portuguesa aprovou na noite de ontem, por ampla maioria, a proposta de administração encaminhada por um grupo de médicos que presta serviços à entidade. Após 89 anos sob o comando de um conselho executivo e um outro deliberativo, a Beneficência repassará o gerenciamento operacional e administrativo para terceiros.
A proposta apresentada aos conselheiros estabelece um contrato de concessão por 30 anos. Junto com ele, a herança das dívidas - cujos valores não foram revelados - e a responsabilidade de pagá-las.
No início, parte do dinheiro que entrará no caixa do hospital será direcionado para a aquisição de novos equipamentos, agregando ao patrimônio operacional tecnologia de ponta capaz de agilizar e atrair novos serviços.
O sinal verde para terceirizar a operação da entidade foi dado pelo seu conselho deliberativo, presidido pelo engenheiro Luiz Carlos da Silva Mendes, em reunião realizada no dia 23 de junho deste ano. A decisão já visava atrair capital para novos investimentos, já que o hospital está endividado e com seus bens indisponíveis para negociação.
Atualmente, o Hospital Beneficência Portuguesa só presta atendimento médico-hospitalar a pacientes particulares e conveniados a planos de saúde. A taxa média de ocupação é de 90% dos 80 leitos disponíveis.
Segundo cálculos de Mendes, o déficit mensal do hospital caiu cerca de 50% em relação a anos anteriores. Ele também contabiliza que cerca de 30% das dívidas já foram pagas.
A história da Beneficência Portuguesa se confunde com a do próprio município. Fundada em 1914 por um grupo de portugueses e descendentes, o hospital teve como sua primeira sede um prédio provisório localizado na rua Batista de Carvalho.
Somente a partir de 1925 é que as instalações da rua Rio Branco começaram a ser erguidas. A primeira parte da obra foi inaugurada três anos depois.