09 de julho de 2026
Articulistas

Exclusões injustificáveis


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Buscam-se justificativas para as exclusões sociais humanas. Mas é evidente que nem todas elas se revestem de razões, pois não é nada fácil adentrar-se em seus meandros e descobrir, mesmo vislumbrar, pistas que possam conduzir ao objetivo colimado. Não obstante, haveria remédio para debelar o mal que agride as pessoas, abrindo-lhes feridas que, falando-se com sinceridade, o que fazem é encaminhá-las para as UTIs dos hospitais? Certamente que existe, admitindo-se, de largada, aquele segundo o qual não nasce o problema nas entranhas dos excluídos e, sim, incontestavelmente, nas dos próprios excludentes. Então, problemático é lutar-se frontalmente contra a exclusão pura e simples e, sem dúvida, guerrear-se heroicamente contra a péssima educação dominante nos que excluem. E é uma batalha, não há como negar, que em estilo nenhum tem de ter seu campo bélico na periferia ou nas escolas, onde se encontra a maioria dos indefesos marginalizados, sempre penalizados pelos dissabores e injustiças do abandono da sociedade. A submissão vem de cima, lá das alturas, onde teria de imperar o axioma de que uma educação inter-cultural tem de emergir da profundeza das águas segundo a qual todos os seres humanos são iguais em dignidade e direitos, morem nas cidades ou nos bairros, em palácios ou taperas, todos fazendo jus, portanto, ao respeito e à consideração daquilo que se chama liberdade, igualdade e fraternidade, conseqüentemente a diversidade cultural que transforma incultos em cultos. O que falam disso os analistas em geral? “Que todos os seres humanos sejam considerados sujeitos e não objetos. Que todas as pessoas sejam reconhecidas como fim e nunca como meio expresso a serviço de outros. Enfim, que todos possam ser donos de seus destinos sem que sejam desrespeitados por aqueles que, segundo o vulgo, nasceram em berço de ouro e franzem o nariz para os que com eles convivem, inspirados por um orgulho que não tem tamanho. A integração das pessoas no meio social ou perto dele constitui um direito e um dever pessoal que incumbem, de forma inequívoca, a todas as comunidades, inclusive as dos poderes públicos, a partir da consciência de que a pobreza e a pouca cultura não podem marginalizar ninguém do respeito, do convívio e das atividades profissionais dos que não a arrastam vida afora! É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.