11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Economistas orientam quitar as dívidas com o 13º salário

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Até amanhã, a maioria das empresas deve pagar a primeira parcela do 13.º salário a seus funcionários. Para quem tem dívidas, a orientação de economistas consultados pela reportagem é de que utilizem o benefício extra para quitá-las, principalmente se o débito for com financeiras e bancos - incluindo cartão de crédito -, que cobram juros altíssimos.

Se não houver dívidas a pagar e sobrar algum dinheiro, há várias opções para a utilização do salário extra. Uma delas pode ser guardar uma parte para as despesas do início do ano, ou fazer as compras de Natal com pagamento à vista, que é a modalidade mais indicada.

No caso dos devedores, o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo César Cafeo faz uma divisão em duas “categorias”. A primeira é a dos trabalhadores que perderam renda porque não tiveram reposição salarial nos últimos anos.

“Neste caso, ou essas pessoas diminuíram o padrão de vida ou se renderam à tomada de crédito. Estes devem utilizar o 13.º salário para quitar as dívidas, principalmente de cartão de crédito. A outra categoria é a do devedor que não está inadimplente, ou seja, tem parcelas vincendas a pagar, como um empréstimo bancário. Se as taxas de juros forem muito altas, é direito previsto no Código de Defesa do Consumidor pagar antecipadamente e descontar os juros, que podem ser de 5% a 8% ao mês”, diz Cafeo.

De acordo com o economista, é muito vantajoso e aconselhável que o consumidor antecipe a liquidação de uma dívida antes de contrair outra. Isso pode, inclusive, possibilitar uma nova aquisição com juros menores.

O economista Fernando Pinho também recomenda a quitação de dívidas com o 13.º salário. “Quem está nessa situação, não deve pensar duas vezes antes de saldar seus débitos. Desta forma, poderá iniciar um novo ano sem pendências antigas. Além disso se livra dos juros mensais destas dívidas.”

Reserva

Para quem não tem dívidas a pagar, Cafeo e Pinho orientam que o trabalhador faça uma reserva com uma parte do salário extra - algo em torno de 40% do valor total - para eventuais emergências ou para ajudar no pagamento de IPTU, IPVA, nos gastos referentes à escola dos filhos, como material escolar, e até mesmo para um reforço nas férias.

“É sempre bom, quando é possível, ter uma reserva financeira para o início do ano. As despesas deste período são pesadas, e se a pessoa tiver dinheiro para pagar à vista, pode usufruir dos descontos. Além disso, nunca se sabe quando as tarifas públicas podem ser reajustadas, e nem mesmo se a economia se manterá aquecida durante o ano de 2004. A única certeza que se tem é de que as despesas sempre vêm”, observa Pinho.

Para quem está com as finanças em dia e pretende utilizar o salário extra para fazer compras, a orientação de Cafeo é para ter cautela. “A pesquisa de preços é fundamental e o consumidor deve preferir pagar à vista para usufruir dos descontos. Se for fazer crediário, o parcelamento deve ser no máximo em três vezes.”

O consumidor que fizer parcelamentos mais longos deve se certificar se realmente a loja não está cobrando juros, como geralmente é anunciado. Para descobrir se os juros não estão embutidos no valor, basta uma simples consulta de preços.

“Para identificar isso, basta comparar os preços do mesmo produto em várias lojas. Quando houver valores mais altos significa que estes estarão com juros embutidos no preço à vista. Por fim, é bom atentar que é impraticável fazer um crediário para pagar em 12 vezes com juros de 3%, 4%, 5% ou 6% ao mês, porque ao final do plano pagará cerca de 50% a 60% acima do valor do bem”, orienta Cafeo.

Em Bauru, o economista avalia que haverá uma injeção de aproximadamente R$ 70 milhões na economia com o pagamento do 13.º salário aos trabalhadores. Em média, o salário extra de cada trabalhador deverá girar em torno de R$ 716,00.

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Empresas

A procura por linhas de financiamento do 13.º salário voltadas especificamente a empresas que não têm condições de dispor de todo o dinheiro para pagar seus funcionários já começou nos bancos públicos. Segundo a gerente-geral da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, Selma Peres Rubira, a ocorrência maior destes casos é em dezembro.

“Algumas empresas já começaram a se informar sobre essa linha. As taxas de juros mensais são bastante atrativas, variando de 0,83% a 2,36% mais TR, dependendo do valor contratado. O financiamento máximo é de R$ 100 mil, limitado ao valor total do 13.º salário bruto dos funcionários da empresa”, explica Selma.

O prazo para pagar o financiamento é de até 12 meses. Para ter acesso a esta linha, a empresa precisa abrir uma conta na Caixa.

No Banco do Brasil (BB), a assessoria de imprensa informa que a linha de crédito para pessoas jurídicas tem prazo de até dez meses para pagar. Os juros são de 2,7% ao mês mais TR, e a contratação deve ser feita até 30 de janeiro de 2004.