08 de julho de 2026
Cultura

Artigo: É só querer


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Não podemos dizer quem somos, o que somos, ou o que seremos; podemos, entretanto, considerar os fatos e acontecimentos cotidianos para vislumbrar, quem sabe, um futuro que nos seja mais promissor do que tem sido nossa vida ou nosso passado.

Assisti “Senhor dos Anéis”, produção cinematográfica fantástica no exato significado da palavra, aquilo que só existe na imaginação. Mas, alguém como eu (e são vários), também assistiu o fabuloso filme.

Refiro-me, em especial, ao padre Beto que, nas suas acuidades visual e auditiva, aliadas ao excelente conhecimento da matéria - cronista que é da sétima arte - salientou, em memorável crônica, uma frase mencionada no filme: “desejo sair de minhas gaiolas”, explicando, doutrinária e filosoficamente, as “gaiolas” de nossas vidas.

Se pessoalmente possuímos “gaiolas” - acredito que sim - por que não seriam as mesmas extrapoladas de nosso inconsciente para o âmbito material de nossas cidades? Por que não existiriam gaiolas prejudicando o crescimento de determinada cidade? Por que essas gaiolas não seriam os próprios políticos que estivessem enclausurando e cerceando o desenvolvimento de uma cidade? Dá para pensar, não é verdade?

E por que não tentar a liberdade delas, cidades, abrindo-lhes as comportas e deixando que o “Senhor dos Anéis” possa, livremente, desenvolver seu próprio destino? É uma idéia, bem o sei, mas que se admitida e desenvolvida poderá apresentar resultados benéficos para toda uma população.

Aqui, neste recanto de cultura da Ju Machado, verdadeiro oásis de nossa sociedade e ponto de encontro da intelectualidade, fico meditando sobre a hipótese de aceitarmos a realidade preconizada por Guilherme de Almeida no verso: “Uma mulher me disse: Vem comigo, fecha os olhos e sonha, meu amigo! Sonha um lar, uma doce companheira que queiras muito e que também te queira. Um telhado, um penacho de fumaça, cortinas muito brancas na vidraça. Um canário que canta na gaiola... Que linda vida lá por dentro rola!”

É que, se aceitarmos os acontecimentos com pensamentos firmes no propósito de realização e soerguimento de nossa cidade, sem sectarismos, evidentemente, estaremos, com certeza, contribuindo para o sucesso final de nossa querida Bauru. E veremos o canário que canta dentro dela. Oxalá que assim seja.

O autor, Itamir Crivelli, é advogado e colaborador do Ju Machado Escritório de Arte.