Estava eu passando uns dias, no réveillon de 2000 para 2001, no apartamento do qual sou sócio, na bonita e remodelada Praia Grande, na cidade Ocean. Bem de manhã, por volta das 8h, desci para minha caminhada, o sol já estava alto.
De quando em quando, a caminhada era interrompida para matar a curiosidade, quando encontrava alguém tirando minhocas, outros pegando “corruptos” (não são os políticos) para fazer isca e alguns barquinhos chegando com pescadores.
E a caminhada continuava. Eis que chegando em frente à estátua de Iemanjá, presenciei um homem e uma mulher, que, com água até os joelhos, andavam de um lado para outro e de vez em quando se abaixavam, e eu, na minha curiosidade, a meia distância fiquei presenciando aqueles movimentos por uns 10 minutos. Não entendendo, dirigi-me àquele senhor que usava roupas rasgadas, barba por fazer e aparência simples e indaguei: “O que faz o senhor com essa cordinha e peso na ponta?” E obtive como resposta de forma bem grosseira: “Estou pescando espírito!” Em seguida, levantou seu instrumento, foi até uma bicicleta e se foi, levando no semblante um tom nervoso.
Eu sem saber o que era “pescar espírito” dirigi-me à senhora e fiz a mesma pergunta. Ela me mostrou o instrumento. Era uma corda com um imã amarrado na ponta, desses de alto-falante, que era arrastado pela areia recolhendo algumas moedas, as quais foram atiradas ao mar na noite anterior como oferenda a Iemanjá.
A mulher de origem humilde, mas muito educada, me ofereceu seu instrumento para que eu experimentasse pescar e, de fato, senti duas moedas baterem no imã. Tirei as mesmas e dei àquela senhora (não fiquei com elas, seu Diocélio dentista), já que estava de posse de um punhado de outras, inclusive moedas argentinas e norte-americanas.
Essa história é verídica tal qual aquela do companheiro e amigo de pesca Jovercy Bergamaschi publicada no JC de 5/7/2001.
Jesus Zorzi é pescador, bebedor de cerveja.