08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Giz, lousa e garganta


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Giz, lousa e garganta. Isso mesmo. Assim é o cotidiano do professor da escola pública hoje. A maioria das salas de aula da rede estadual encontra-se em estado lastimável, sucateada mesmo. Desprovido de material didático e dos recursos da moderna tecnologia educacional, o pouco existente é uma gota no oceano, o professor “se vira nos 50 minutos” de aula para oferecer um ensino que seja decente, atraente, digno e participativo, como deve ser uma aula motivadora, que desperte o interesse do educando.

Diante dessa situação de sucateamento das salas de aula, vale dizer, da rede pública, fenômeno que vem se agravando nos últimos anos, não há metodologia ou procedimento pedagógico que resista. Outro obstáculo para o trabalho docente é o excessivo número de aulas e de alunos nas salas, com muitas delas ultrapassando 50 estudantes.

Agora, a Secretaria de Estado realiza concurso de ingresso para cerca de 50 mil professores que serão incorporados à rede escolar para atender a demanda sempre crescente de alunos. Boa parte deles oriundos da rede particular por razões que abordaremos oportunamente.

O concurso público é medida que merece o nosso reconhecimento e aplauso, porém só ele não basta. Outras medidas pedagógicas, administrativas e políticas deveriam seguir-se à ele, como reivindicam as entidades representativas dos educadores e demais segmentos que lidam com a educação e a própria sociedade, a maior interessada.

O Programa de Educação Continuada (PEC), tais como os desenvolvidos pelas universidades públicas: USP, Unesp e Unicamp, devem ser retomados pela Secretaria de Estado a fim de ser implantado permanentemente como é o seu próprio conceito, o mais moderno, para a atualização dos profissionais da educação e todos quantos atuam no apoio dessa atividade e que pedem socorro diante dos desafios e das dificuldades do cotidiano escolar.

Além do salário defasado e corroído que impede o professor de se atualizar com a aquisição de livros e outros recursos didáticos para melhor atender a juventude em busca de perspectiva e de futuro, temos parte da mídia que, no lugar de parceiro no processo de educação, muitas vezes tem se transformado em obstáculo, criando uma disputa desigual, a serviço do mero consumismo e de uma sociedade do “descartável”. Mas esta é outra história...

Isaias Daibem - RG 5.250.303