09 de julho de 2026
Bairros

Demanda reprimida nas unidades de saúde preocupa

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Filas para a marcação de consultas, demora no atendimento, insatisfação com o sistema. Cenas que podem ser vistas diariamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da maioria dos municípios brasileiros, inclusive Bauru. Quem precisa de atendimento gratuito já se acostumou com os problemas que terá que enfrentar, mas nem por isso deixa de fazer reclamações.

Um levantamento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mostra que os 118 médicos que trabalham na rede pública realizam mensalmente mais de 20 mil consultas. Em outubro, foram 25.005 atendimentos, média de 212 para cada profissional contratado.

Embora venha se esforçando para amenizar os problemas, a própria secretaria reconhece que a demanda reprimida é grande. “Em unidades muito procuradas, eu não consigo atender a todos que estão na porta. Temos um pré-agendamento dentro dos programas prioritários e deixamos um percentual para atender a essa demanda espontânea”, explica a diretora do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle (Depac) da SMS, Heloísa Ferrari Lombardi.

Segundo ela, a procura por uma Unidade Básica de Saúde está diretamente relacionada ao perfil que ela apresenta. “Na do Jardim Europa, que fica em uma região heterogênea em termos de nível socioeconômico, a médica-chefe consegue fazer praticamente tudo com agendamento prévio”, revela.

Já em setores mais carentes da cidade, a demanda é tão grande que é comum encontrar usuários chegando às unidades durante a madrugada para garantir uma consulta. “A gente tem que ficar na fila, às vezes até na chuva. Antes, eles abriam o portão, mas agora não fazem mais isso”, conta a dona de casa Floriza Martins Firmino.

No último mês, a UBS daVila Ipiranga foi a que apresentou o maior número de atendimentos feitos por clínicos gerais, com 1.056 consultas. Os pediatras da UBS do Parque Jaraguá foram os mais procurados e realizaram 574 atendimentos. Já a UBS do Centro foi a que registrou mais consultas ginecológicas, 695.

No total geral de outubro, os clínicos gerais foram os responsáveis por 11.204 atendimentos. Em segundo lugar, ficaram os ginecologistas, com 7.069. Os pediatras aparecem em terceiro, com 6.732 consultas.

O setor de pediatria, por sinal, é visto pela Associação Paulista de Medicina (APM) como o ponto mais problemático do sistema de saúde pública. “A impressão que eu tenho é que há uma carência de atendimentos, resultado do número pequeno de pediatras alocados nas unidades mais periféricas”, opina o presidente da Regional Bauru da entidade, José Henrique de Oliveira Godoy.

A Prefeitura Municipal de Bauru tem realizado concursos para ampliar o quadro de pediatras, mas encontra dificuldades para preencher as vagas oferecidas. “Não sei se é uma questão de mercado ou tipo de trabalho, mas alguns médicos se classificam e, quando são chamados, desistem”, diz a diretora do Depac.