10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Relembrando a situação dos cines bauruenses


| Tempo de leitura: 4 min

Na atual conjuntura política pela qual Bauru passa, não é de se espantar que as coi-sas não andem como o povo gostaria ou que os passos para tal caminhada evolutiva não estejam sendo efetivamente dados. Aliás, muitas situações são falhas por aqui. Entretanto, cá não estou para proclamar contra o âmbito público da nossa molestada cidade. Os problemas estão por aí, rondando como sonâmbulos que devem ser acordados.

No entanto, na seara privada, há de se relembrar promessa que outrora – e ainda a-gora – fora deixada de lado e que continua sendo latente debaixo de panos quentes. Entretanto, tais panos devem ser retirados veementemente e a ferida em que se encontram os cinemas bauruenses deve ser exibida com revolta e com sincera e saborosa vontade de mudança.

A Sétima Arte anda um tanto prejudicada aqui em nossa cidade. A cultura anda a-fastada dos olhos dos cidadãos; se não é para tanto, ao menos a visão que se tem do Cinema anda um tanto ofuscada. Já se eshgotou o prazo para entrega dos cinemas (Cine Center) com suas reformas, tanto estruturais como tecnológicas. Ao menos, era assim que se esperava.

Todavia, não foi assim que se procedeu, haja vista que era de dois meses o prazo para se reformar os cinemas de Bauru e nada foi feito nesse sentido. Aliás, quando se diz ‘nada’, é deveras nada: nem um banco novo, nem um balde de tinta, nem novos sistemas de som, nem projetores satisfatórios. Deveras nada: nem uma palavra ao jornal explicando os motivos de não ter havido o andamento nas mudanças do cinema, nem nota de rodapé, nem um edital na vitrina da bilheteria. Resumindo: prometeram reformas e a esperança dos cinéfilos foi saciada. Retiraram seus corpos mansamente, como se não nos referíssemos a eles próprios.

E tudo continua deplorável. Bem sabem as pessoas que admiram a Sétima Arte e semanalmente visitam os cinemas de Bauru. Tomemos como exemplo os cinemas do Bauru Shopping, haja vista que é neles que estão concentrados os eventuais esforços para a reestruturação em sua forma (isso não quer dizer que o Cine Bauru esteja isento de críticas). Primeiramente, com relação ao seu aspecto, que ainda é considerado pecável: a pintura visível das salas parece corroída por ratos. Os assentos, rasgados, sabem como afundar e incomodar um corpo sedento pelas películas.

E, pasmem, espectadores: andam utilizando o cinema para guardar vassouras, pás e baldes de lixo. Certa vez, encontrei atrás dos assentos da última fileira, encostadas na parede, ferramentas para limpeza das salas (que também anda deficitária). Não falta mais nada, realmente; é rir para não chorar. Ah, logicamente, sim, falta; como poderia me esquecer... Há o magnífico caso dos projetores e dos responsáveis pela projeção do filme. N’outra vez, saiu o filme do seu enquadramento normal. Eis que esperamos ao menos cinco minutos para recolocarem o filme em sua posição original... Talvez os técnicos estivessem no banheiro ou fazendo um piquenique.

E quanto ao som? Rezo todos os dias para que decidam colocar legendas nos filmes nacionais. É impossível que se assista ‘Lisbela e o Prisioneiro’ sem questionar ao parceiro ao lado: “O que foi que Lisbela disse?”. Tudo errado, tudo errado. E, quando domingo à noite se quer escutar o que dizem os filmes, barulhos inoportunos do lado de fora do cinema fazem com que nossa fúria se acentue ainda mais.

Por fim, mas não menos importante, deve-se listar o período em que ficam expostos os filmes nos cines de Bauru. Quando se trata de filmes que emburrecem, o período é longo; aos que trazem certo benefício à alma, dois ou três dias está de bom tamanho. Cito também o caso dos filmes que não entram em cartaz pelo ‘simples’ fato de que “não renderão lucros”. E o prejuízo quem leva somos nós, certo?

Talvez quando novos cinemas surgirem (diga-se de passagem, quem sabe com a construção do megaempreendimento do grupo Savoy), eles resolvam mexer os pauzinhos, infelizmente. Lucro, minha gente, lucro.Entretanto, peço, encarecidamente, à população bauruense: falemos mais alto. Prometeram reformar nossos cinemas e nada foi feito. Talvez fosse um motivo para nos querer calar. Mas assim não devemos agir. Temos que relembrá-los da promessa feita. Promessa é dívida. Reitero: há dois meses deveria haver começado um processo de reestruturação dos nossos estabelecimentos cinematográficos. Nenhuma medida foi tomada. Tomemos nossas posições: quem tem boca vai a Roma. (Guilherme Sandi Foganholo - RG 44.221.978-7)