09 de julho de 2026
Saúde

Ciência avança no combate ao câncer

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Houve um tempo em que nem mesmo seu nome podia ser pronunciado. A “doença ruim” era sinônimo de morte certa e sofrida. Neste milênio, porém, o País celebrou o Dia Nacional de Combate ao Câncer (27 de novembro) com notícias bem mais animadoras. Apesar de ainda matar mais de 100 mil brasileiros por ano, as evoluções tecnológica e farmacológica oferecem uma esperança de cura cada vez maior.

Hoje, a medicina dispõe de um conjunto de técnicas e equipamentos capazes de detectar um tumor com o tamanho de um grão de areia. Os diagnósticos por imagem permitem vasculhar todo o organismo em busca de alterações. Análises de laboratório podem avaliar a velocidade de reprodução das células doentes, o que indica a agressividade da doença.

Mesmo ao final do tratamento oncológico, quando os exames convencionais já indicam a cura, é possível fazer um teste específico capaz de detectar os mínimos resíduos de células cancerígenas no organismo. E assim por diante.

A medicina ainda não pode evitar o desenvolvimento destes tumores e, às vezes, ela perde mesmo a batalha contra alguns. No entanto, as possibilidades de cura têm aumentado ano após ano. Os cânceres de mama, de colo de útero, de pele e de próstata, por exemplo - que estão entre os mais prevalentes -, podem ser completamente eliminados quando descobertos e tratados precocemente.

A doença tornou-se mais freqüente no século 20. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, só neste ano, serão registrados mais de 400 mil casos novos no País, sendo 216 mil mulheres e 186 mil homens.

Especialistas atribuem a alta na incidência a dois fatores principais: ao aumento da longevidade (o envelhecimento propicia a degeneração celular) e à adoção de maus hábitos, como o tabagismo e a alimentação inadequada. Só o cigarro está associado a 30% dos casos de câncer.

O que assusta é que, segundo o Inca, o câncer se constitui na segunda causa de morte por doença no Brasil, perdendo apenas para alterações cardiovasculares. Em 2000, as neoplasias foram responsáveis por 12,73% dos quase 950 mil óbitos registrados. A estimativa para este ano é de que a doença mate aproximadamente 125 mil brasileiros até o fim de 2003. Diante dos avanços tecnológicos, a negligência aparece como uma das principais vilãs neste quadro.

Pesquisas mostram que apenas 44% dos diagnósticos são feitos quando o tumor já está em estágio adiantado de desenvolvimento. O câncer de pulmão é ainda mais grave: 87,6% dos homens só descobrem a doença quando já não há mais opções de controle e sobrevivência.

O ideal é prevenir. A melhor maneira de fazer isso é manter hábitos saudáveis de alimentação e atividade física regular. Fora isso, especialistas também recomendam a realização periódica de alguns exames, lembrando que quanto mais cedo se inicia o tratamento, maior é a possibilidade de cura.