10 de julho de 2026
Geral

Alunos buscam alternativas para pagar as mensalidades

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Para conseguir cursar uma instituição privada de ensino superior, muitos alunos que não teriam condições de pagar as mensalidades do próprio bolso acabam buscando alternativas, como o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) oferecido pelo governo federal ou bolsas de estudo e trabalho.

A aluna Nathália Regina Sabatini, que cursa fisioterapia na Universidade do Sagrado Coração (USC), conseguiu uma bolsa-trabalho através do Centro de Integração Empresa Escola (Ciee). “Eu não poderia fazer um curso superior se não fosse isso”, revela.

Diariamente, Nathália sai de Duartina e percorre 38 quilômetros para poder trabalhar e estudar em Bauru. Durante o dia, ela exerce a função de secretária no setor de terceira idade da própria universidade e, depois, assiste às aulas. “Venho pela manhã e só retorno à noite”, conta.

Apesar do esforço e do pouco tempo livre que resta a ela, a estudante não reclama. “Você precisa abrir mão de algumas coisas para pensar no seu futuro. De qualquer maneira, estou muito feliz e acho que essa oportunidade é muito importante. Quando a pessoa trabalha e estuda, a gente percebe que valoriza bem mais as aulas, quer ir bem e aprender sempre mais”, diz.

A reitora da USC, irmã Jacinta Turolo Garcia, afirma que casos como o de Nathália são cada vez mais comuns. “Vejo muitas pessoas com garra, que trabalham em cidades vizinhas, vêm aqui à noite e só chegam em casa de madrugada, para acordar cedo novamente no dia seguinte”, relata.

A diretora acadêmica das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Chiara Ranieri, também nota o crescimento desse tipo de estudante. “Temos vários alunos que abrem mão do lazer, por exemplo, para fazer o curso superior e buscam alternativas como o Fies e o Programa Escola da Família. Há, inclusive, financiamento privado dentro das instituições para que o aluno possa cursá-las”, diz.

A reitora da USC faz, porém, uma ressalva. “O que não podemos admitir é o aluno que, além de ser fraco e não ser estudioso, quer bolsa inteira”, declara irmã Jacinta.

Ela também critica pais e alunos que tentam enganar as instituições. “Damos um desconto para quem paga em dia. A pessoa vem até aqui, dá um cheque e, no dia seguinte, susta esse cheque. Há muita gente que participa de festinhas, tem um carro bom e passa o semestre sem pagar”, reclama.