08 de julho de 2026
Geral

Ajax começa nova coleta de terra para analisar chumbo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A nova Ajax vai iniciar, nesta semana, uma etapa de coleta de amostras de terra superficial e profunda, água e vegetais nas proximidades da fábrica da empresa localizada no Distrito Industrial 1 e nas imediações do setor metalúrgico instalado no Jardim Tangarás para analisar a concentração de chumbo. A unidade de metalurgia, que reciclava chumbo, está interditada pela Cetesb desde o início do ano passado por causa da emissão do metal.

O acordo que prevê uma nova fase de levantamento de dados nas duas áreas foi firmado na quinta-feira passada entre representantes da empresa e do órgão ambiental. Segundo a Cetesb, o resultado dos primeiros relatórios deve sair em 60 dias.

O novo diagnóstico faz parte do plano de recuperação ambiental proposto pela Ajax, explica Paulo Neto, diretor de marketing da empresa. “O nosso plano de recuperação foi aprovado pela Cetesb e apesar de também precisar ser aprovado por outros órgãos ambientais e de saúde, já estamos autorizados a iniciar a execução do diagnóstico para saber a dimensão do problema”, diz.

Com base no diagnóstico, a Cetesb vai determinar as medidas que a Ajax precisa tomar para a recuperação do setor metalúrgico e do entorno (região do Tangarás), segundo Rogério Chini, gerente da Agência Ambiental Bauru do órgão. “As ações dependerão do diagnóstico, que podem ser desde a raspagem de solo até concretagem”, ressalta. Ele estima que toda a região contaminada estará totalmente recuperada em cerca de cinco anos.

A Ajax, conta Paulo Neto, contratou uma empresa para fazer o diagnóstico da área externa e interna do setor metalúrgico. “É uma operação de custo altíssimo, mas a empresa vai seguir o que for estabelecido pela Cetesb e fará a recuperação”, diz ele, sem precisar o valor que será gasto e quanto tempo o trabalho vai demorar.

Também faz parte desta etapa retirar das instalações da empresa a terra contaminada com chumbo, resultante da raspagem de ruas e quintais do Tangarás, feita no ano passado. De acordo com Paulo Neto, a terra foi classificada como nível 2 de contaminação numa escala de 1 a 3, o que permite que seja removida para um aterro sanitário.

Paulo Neto adianta que a Ajax também vai iniciar a adequação da área interna do setor metalúrgico, para colocá-lo em operação outra vez. “Temos que adequar os 28 itens listados pela Cetesb, como trocar filtros e máquinas. Mas a proposta da empresa não é mais reciclar chumbo na unidade, mas sim plástico da bateria”, frisa.

Se o setor metalúrgico voltar a funcionar, provavelmente vai gerar empregos, segundo o gerente de marketing da Ajax. A maioria dos cerca de 100 funcionários que trabalhavam no setor metalúrgico acabou dispensada após a interdição do setor.

Desde então, a Ajax passou a enviar a empresas de outras cidades o chumbo que reciclava até então, o que aumentou o custo operacional, segundo Paulo Neto. Sobre a inclusão da unidade da empresa do Distrito Industrial como área contaminada, ele diz que o problema já está resolvido. “A Cetesb detectou índice de chumbo elevado em dois pontos da empresa - um interno e outro externo. Mas a Ajax já fez a raspagem da terra e, com isso, a resolveu o problema”, finaliza.

Além da empresa contratada pela Ajax, a contaminação no Jardim Tangarás será investigada por um perito da Justiça que ainda será nomeado. Um outro profissional havia sido indicado para o caso, mas alegou impossibilidade técnica para fazer a análise, explica o promotor do Meio Ambiente de Bauru, Luiz Eduardo Sciuli de Casto.