08 de julho de 2026
Política

PT e PMDB são aliados para 2004

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O cenário eleitoral municipal de 2004 já tem a sua primeira aliança político-partidária. O PT e o PMDB vão estar juntos nas eleições do ano que vem. A parceria foi anunciada ontem por Estela Almagro, dirigente do PT, e por Alex Gasparini, presidente da executiva municipal do PMDB. A reunião contou, ainda, com a participação do vereador José Carlos Batata (PT) e de militantes peemedebistas.

O flerte pré-nupcial dos partidos coloca no altar duas valiosas “noivas” que, a rigor, estão confortavelmente à espera de um “noivo” para concretizar o casamento, mas com um diferencial: a prerrogativa de escolha. As duas legendas, juntas, somam mais de 20 minutos diários de televisão.

Com isso, PT e PMDB passam a ser os partidos mais cobiçados do cenário político municipal a partir de hoje. A estratégia adotada - elogiável do ponto de vista dos resultados que vão agregar as duas legendas - vai provocar uma romaria de convites para conversações com petistas e peemedebistas.

A união municipal dos partidos consolida o que já ocorre em nível nacional e estadual. O PT de Luiz Inácio Lula da Silva encontra sustentação política do PMDB no Congresso Nacional. Em São Paulo, a prefeita Marta Suplicy (PT) também recebe colaboração peemedebista. A aliança PT/PMDB em Bauru, portanto, enquadra-se no clima de companheirismo já vivido em Brasília e na Capital paulista.

No último sábado, o ex-deputado federal Tuga Angerami (PDT) enfatizou que faz parte de seus planos ter o PT como aliado ainda no primeiro turno das eleições municipais do ano que vem. Chegou a citar, inclusive, que o PMDB seria “muito bem-vindo” no leque de alianças que se pretende formar.

Sem compromisso

Mas a definição de cabeça de chapa, ou seja, do nome do prefeitável que surgirá da aliança, é assunto que ainda vai ser amadurecido nos dois partidos. Pelo menos é o discurso alinhado da dirigente do PT e do PMDB. Os dois deixam claro que um virtual apoio à candidatura de Tuga Angerami será motivo de discussões internas e externas aos partidos.

“O PMDB e o PDT são dois grandes partidos, com militâncias fortes e componentes históricos de ética. Na verdade, o PT e o PMDB se transformam, a partir de hoje (ontem), em duas noivas cobiçadíssimas. Ou vamos fazer um casamento entre nós ou vamos escolher muito bem com quem vamos subir ao altar”, diz, sem rodeios, Estela Almagro.

A dirigente petista explica que a aliança é um protocolo de intenções que deverá ser confirmado pelos membros do diretório municipal e pelos militantes na consulta que será realizada em março do ano que vem.

“Com certeza, dentro do campo ético e do arco de alianças que se propõe construir, vamos encontrar o candidato ou a candidata que melhor se adequará a nossa proposta”, comenta a petista, dando ênfase a possibilidade de uma mulher ser a escolhida para cabeça de chapa ou mesmo a função de vice-prefeita.

O presidente da executiva municipal do PMDB, Alex Gasparini, engata sintonizado no discurso de Estela. “O PMDB de Bauru esteve alinhado com o PT na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República”, lembra.

“Já existe parceria em nível nacional e estadual. Seria incoerente se, em nível municipal, nós não firmassemos aliança para 2004. Aonde o PT for, o PMDB vai junto”, garante Gasparini, em tom de fidelidade.

O dirigente peemedebista acredita que uma parceria com Tuga Angerami poderá vingar. “Mas essa decisão passará por discussões entre os dois partidos. Mas nada impede que venhamos a apoiar outro candidato”, avisa, deixando claro que a engenharia política para a definição de candidatura a prefeito está apenas começando.

Já o vereador José Carlos Batata (PT) vai mais longe. “Nosso objetivo final é conquistar o Palácio das Cerejeiras”, vislumbra abertamente.