08 de julho de 2026
Cultura

Quebra-cabeça de cores

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Pequenos detalhes multicoloridos dão o tom alegre e expressivo ao trabalho da artista plástica Marli Jacó Hessel, que abre hoje no Templo Bar sua nova exposição: “Do Sertão ao Japão”. Eclética, a mostra é inspirada em temas diversificados, que retratam desde o cotidiano do Interior nordestino até a beleza das gueixas, passando ainda pelos costumes indígenas e o aspecto lúdico dos circos.

Apesar de se basear em temas variados, a mostra conserva uma característica única: a intensa cartela de cores impressa em cada obra. “O desenho é apenas um limiar para que eu possa brincar com as cores”, explica Marli.

É impossível não reparar na riqueza de cores de um dos trabalhos mais bonitos da exposição: um quadro que traz um índio rodeado de máscaras. Pintada nas cores primárias - azul, vermelho, amarelo - e em todas as variações possíveis (e impossíveis) de cores, a tela esbanja alegria e beleza.

A mesma vivacidade está presente nos 25 trabalhos da mostra, que são divididos em telas expostas em molduras tradicionais e quadros recortados em formatos inusitados, como pinturas produzidas diretamente em troncos de árvores.

Para conseguir o efeito multicolorido das obras, a artista utiliza materiais variados. “Aproveito massa e tinta acrílica, pigmentos, couro, madeira, enfim, procuro experimentar”, diz Marli, justificando a razão da escolha por diferentes bases em suas telas. O resultado é um trabalho de extrema qualidade, digno de apreciação. “O resultado é inesperado até para mim”, confessa a artista, modesta.

A diversidade presente na obra da artista pode estar intimamente ligada à característica eclética que acompanhou sua carreira. Formada em artes plásticas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1995, Marli começou sua trajetória seguindo o estilo acadêmico, passou pelo espatulado inspirando na estética de Van Gogh, e atualmente opta pela técnica mista, contemplando a linguagem contemporânea.

Na estrada há quase 10 anos, a artista já participou de mais de 15 mostras, algumas em outros Estados. Neste final de semana, Marli- nascida em Tatuí mas morando há 17 anos em Bauru - se muda para Santa Catarina. Entre os motivos para a mudança não está a falta de mercado para seus quadros, pelo contrário. Na contramão da trajetória de muitos artistas locais (que enfrentam dificuldades para vender suas obras), Marli sempre teve muita facilidade para comercializar suas telas. A prova disso é que na maioria das vezes, ela precisa repor os quadros de uma exposição.

O segredo do sucesso de Marli pode ser explicado através da beleza de suas telas, ou ainda pelos preços mais baratos - que vão de R$ 40,00 a R$ 350,00. Para a artista, a receita pode estar justamente ligada à energia das cores. “Cada um tem a sua visão de mundo e acho que meus quadros são alegres. As pessoas se identificam com as cores, acho que isso têm a ver com o bem-estar delas”, arrisca.

• Serviço

Mostra “Do Sertão ao Japão” pode ser conferida a partir de hoje até dia 17, no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34.