09 de julho de 2026
Turismo

Laguna, a terra de Anita

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Para começar, a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas passa justamente sobre Laguna, ao Sul, e Belém do Pará, ao Norte.

Isso significa que um bom pedaço do Brasil ainda a ser descoberto já pertencia a Portugal e aquela região catarinense entrou para a história bem antes de ser colonizada.

A história não pára aí. Lembra-se de Anita Garibaldi? Nasceu em Laguna. Aos 18 anos Aninha (Ana era o seu nome de batismo) conheceu o guerreiro Giuseppe Garibaldi, italiano contratado para brigar com as forças imperiais para proclamar a República.

Giuseppe passou a chamá-la de Anita, diminutivo de Ana, em italiano. Nascia a guerreira Anita Garibaldi, que, mais tarde, entraria para a história como a heroína dos dois mundos.

A casa, a igreja e todos os sítios históricos desse grande romance estão preservados em Laguna.

As praias constituem um capítulo à parte. Famosas pelas belezas e águas límpidas e azuis, têm vida própria com bares, hotéis, danceterias e shoppings.

O cabo de Santa Marta

Localizado a 12 quilômetros do Centro está o Cabo de Santa Marta que a gente estudava nas aulas de geografia no grupo escolar. Lá está um dos maiores faróis da América em alcance visual, construído em 1891 por engenheiros franceses.

A base da economia em Laguna é a pesca, com alta produção de camarões e crustáceos. Uma curiosa técnica usada pelos pescadores locais é considerada única no mundo. Trata-se da captura de peixes, principalmente da tainha, com o auxílio dos golfinhos. Quando eles aparecem encurralando o cardume em direção à margem do canal, as tarrafas são lançadas aprisionando os peixes num espetáculo incomum e fascinante.

Os botos passam longo tempo dentro do canal em contato com os pescadores. A intimidade é tanta que são conhecidos e batizados com nomes irreverentes: Chega Mais, Galha Torta, Xuxa, Taffarel...

A infra-estrutura hoteleira é ótima, a comida farta e barata, principalmente para quem gosta de frutos do mar. Belezas naturais, prédios históricos e gente hospitaleira fazem de uma viagem a Laguna algo inesquecível.

Circuito cultural

Laguna foi sede da República Juliana, proclamada por Bento Gonçalves, em 1839. Embora tenha perdido a batalha para o exército imperial, Bento e seus aliados deixaram marcas profundas na história brasileira e particularmente em Santa Catarina.

Essa parte da história está presente no Museu Casa de Anita, uma construção de 1711 que está totalmente preservada.

Além do circuito histórico-cultural e da arquitetura riquíssima do século 18, com antigos casarões, monumentos e ruas estreitas, a cidade oferece ao visitante 16 praias lindíssimas, caso da Mar Grosso, que concentra a maioria dos hotéis e restaurantes e três grandes lagoas (por isso tem esse nome) - Mirim, Imaruí e Santo Antônio - de águas cristalinas.

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Guerreira apaixonada

Desde a adolescência, Anita Garibaldi já demonstrava sua paixão pela liberdade. Gostava de andar a cavalo, à beira dos canais e das praias de Laguna, para tomar banho de mar, contrariando os costumes da época.

Prometida em casamento a um sapateiro, não foi feliz na primeira união. Aos 18 anos conheceu Garibaldi. Ao lado dele, a mulher audaciosa e destemida guerreou, atravessou picadas e córregos e em 16 de setembro de 1840, teve seu primeiro filho, Menotti.

Casaram-se em 26 de março de 1842 e Anita teve mais três filhos: Rosita, Teresita e Riccioti. Em meados de 1849, ela foi a Roma e ao lado do marido guerreou pela unificação da Itália.

Grávida pela quinta vez e muito doente, não aceitou a abandonar o marido, dando mostras de coragem em lances de bravura frente aos inimigos austríacos. Faleceu nos braços de Garibaldi em agosto de 1849. (fonte: Santur)