08 de julho de 2026
Geral

Bauru tem 11ª melhor divisão de renda

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru está na 11.ª colocação no ranking de menor desigualdade de renda do Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme), que avaliou os 55 municípios economicamente mais importantes do Estado de São Paulo. Ou seja, apenas dez cidades das avaliadas têm melhor distribuição de renda que Bauru. A análise também classifica a cidade em 17.ª posição no índice de alfabetismo.

Municípios como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas e Jundiaí despontam em posições mais altas nos dois indicadores, que vão integrar o ranking do Índice de Desenvolvimento Social (IDS). A cidade com melhor distribuição de renda é São Caetano.

“Não são posições ruins, estão acima da média. A desigualdade tem aumentado nos últimos anos. Os censos (mais recentes) mostram que as cidades médias - como Bauru - ganham população. No entanto, não têm oferecido emprego à altura para atender a demanda, fator que tende a pressionar o índice”, explica o professor de sociologia do curso de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Murilo Cesar Soares.

Já para o professor de realidade socioeconômica da Unesp, Maximiliano Martin Vicente, Bauru ficou fora da rota do desenvolvimento.

Segundo ele, foram fortalecidas as cidades que investiram em álcool, laranja e pecuária. “Temos que tomar cuidado com os índices (como o de desigualdade). Para o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por exemplo, o salário mínimo para uma família de quatro integrantes deve ser algo em torno de R$ 2.400,00. Com menos é difícil viver dignamente”, destaca.

Concorda com ele Firmina Soares da Silva, que sobrevive com o neto de 5 anos com cerca de R$ 300,00. “Você tem de controlar mês a mês. Num deixo de pagar a energia, no outro, o telefone. No mercado só dá para comprar na promoção. E se parar (de trabalhar), morre de fome. Não consigo ajuntar um centavo, é a lei da sobrevivência”, lastima.

Até para a arquiteta Luciana Fernandes, que tem renda superior a dez salários mínimos, os últimos dois anos foram mais difíceis.

A fim de amenizar a crise para os mais carentes, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) tem investido em programas que viabilizem rentabilidade econômica aos mais pobres, como é o caso do Primeiro Emprego.

“Desenvolvemos programas de geração de renda em bolsões de pobreza. A inserção no mercado de trabalho será nosso objetivo principal em 2004”, informa a responsável pela pasta, Darlene Tendolo Martin. Ela ainda destaca que programas como o Nutribebê, voltados ao combate à mortalidade infantil, também contribuem para a boa colocação de Bauru no ranking do Ieme.

Na opinião dele, a migração também poderia explicar o índice de alfabetismo, pois a possibilidade de Bauru receber pessoas não-alfabetizadas de regiões mais carentes não está descartada. “(O analfabetismo) pode ser revertido com políticas e investimentos”, diz.

Educação

Também interessada em subir no ranking, a secretária municipal de Educação, Solange Reis, espera ampliar em mil o número de vagas na rede toda, incluindo as escolas de educação fundamental, de ensino infantil, educação para jovens e adultos e creches. Atualmente, o ensino público municipal é responsável pela formação de quase 23 mil alunos.

“Estamos construindo mais cinco escolas de ensino fundamental e ampliando outras sete, entre creches e escolas de educação infantil. Também é nosso objetivo ampliar o número de salas para educação de jovens e adultos em escolas, empresas, igrejas e associações”, completa a secretária. O JC não localizou a dirigente regional de Ensino, Marilene Guerrero, para comentar o assunto.

Porém, por maior que seja o esforço do Estado ou município, Leonéia Pompeu garante não voltar aos bancos escolares. Ela abandonou os livros didáticos na 5ª série, após reprovar duas vezes. Para ela, tudo o que aprendeu nesse período já é suficiente “para levar a vida”.

Já para Luiz Carlos da Silva, é a idade que o impede de aprender a ler a escrever, embora lastime as limitações vivenciadas pelos analfabetos. “Tudo é muito difícil, até para pegar ônibus. Para visitar outra cidade é pior ainda. Não consigo me localizar porque não entendo as placas nas ruas. Dos meus oitos filhos, só um aprendeu a ler, mas também não é essas coisas”, conta aos 68 anos.

O número de pessoas com as mesmas dificuldades que Luiz Carlos não é maior porque o município investe 25% do que arrecada, conforme prevê a Constituição Federal, alerta Vicente.

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Índices

O Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme) mediu a desigualdade de renda nos municípios através da quantidade de chefes de família que ganham acima e abaixo de dez salários mínimos. Já o ranking de alfabetismo foi elaborado a partir de dados do Atlas da Exclusão no Brasil de 2002 que, por sua vez, utilizou números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2000.

As duas variáveis integram o Índice de Desenvolvimento Social (IDS), um dos indicadores do Índice Geral de Competitividade (IGC), que está sendo lançada pelo Ieme.

O IGC também aglutina outros indicadores já divulgados anteriormente pelo JC, como o Índice de Criminalidade (IC) e o Índice de Eficiência Municipal (IEM). O primeiro classificou o município na 13ª colocação entre as 55 maiores cidades do Estado e o segundo na 42ª posição.

A situação de Bauru nesse último indicativo foge das médias anteriores, mas se aproxima do ranking do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), cuja classificação da cidade foi a 45ª colocação.

Só neste ano, foram divulgados pelo menos outros dez índices, como o de exclusão social da Universidade Estadual Paulista, as taxas de alfabetismo e de estimativa populacional do IBGE, além das variáveis de mortalidade infantil, fecundidade e investimentos do Seade.