09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Radar: armadilha contra a população


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Eu, Benedito S. Guedes de Azevedo, um insignificante cidadão inútil da terceira idade, cujo valor político é zero, pois já não preciso mais votar, um peso morto à sociedade, por insistir em viver além da idade em que estatisticamente já deveria ter morrido, ouso por meio desta me dirigir à tão excelsa autoridade feudal a fim de protestar a multa de mais de duas vezes do valor de minha aposentadoria, pois tenho que escolher entre minha sobrevivência suprindo minhas necessidades básicas ou enriquecer o bolso de burocratas privilegiados e políticos corruptos e incompetentes que só estão interessados em legislar em causa própria.

Sei muito bem que esse sistema eletrônico de multas é muito mais um recurso para extrair mais divisas dos cidadãos do que contribuir para a segurança no tráfego. São armadilhas colocadas em lugares estratégicos onde possam causar as infrações e, desta forma, gerar receita que hoje já é uma das principais fontes de subsídio à obesa, ineficiente e esbanjadora máquina administrativa.

Vivemos hoje no regime feudal mais fundamental e perverso que aquele que existiu na Idade Média ou o atual estado shiita do Irã. As autoridades decretam: plantem, trabalhem, produzam que nós da classe privilegiada estamos sempre prontos a consumir. Sofro um grave acidente em que parecia que iria necessitar de primeiros socorros, me dirijo ao pronto-socorro e, com a dor que sentia no momento, como poderia me concentrar em qualquer coisa além de cuidar de meus ferimentos o mais breve possível? Passo além da rua em que deveria virar para chegar ao pronto-socorro, sigo em frente para retornar, caio na armadilha, quando chego ao pronto-socorro descubro que o “pronto-atendimento” só poderá acontecer depois de longa espera, volto para casa sem atendimento, mas com uma multa maior do que uma consulta com o melhor dos especialistas.

Que socialismo é este deste infeliz país? Para eu receber minha aposentadoria que paguei durante muitos anos tive que enfrentar sofrimento, humilhação, descaso e até mesmo ameaça de burocratas enfurecidos. Somente após anos de luta, contratação de advogado e perda de anos de aposentadoria é que consigo receber este salário mínimo que vocês se propõem a extorquir de mim. Tenho direito a remédios grátis de acordo com lei em vigor, só que não há remédios, o que sobra em burocracia falta em recursos, eficiência e decência.

Só uso o carro para poder complementar meu salário dando aulas particulares. Como não vou poder pagar essa multa, também não vou poder mais trabalhar. Assim vocês triunfarão, eliminado mais um inconveniente. Por falta de recursos, talvez eu logo me torne estatística.

Atenciosamente, Benedito S. Guedes de Azevedo (professor M.A.)