08 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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O desencontro de informações sobre a renovação do acordo que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis foi uma “estratégia” do governo, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

Na semana passada ele havia informado que a tendência era de não renovar o acordo, o que foi confirmado pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega. Mas depois o Ministério da Fazenda divulgou nota informando a renovação do acordo até fevereiro de 2004.

“Eu e o ministro Antônio Palocci (Fazenda) conversamos permanentemente e havia uma negociação em curso com as montadoras. A renovação do acordo unilateralmente não seria vantajosa ao consumidor e, por isso, combinamos a exigência de contrapartidas das fábricas”, explicou.

Segundo ele, ao negar publicamente que o acordo seria renovado, o governo pressionou as montadoras a garantirem a contrapartida de manutenção dos preços dos veículos e do nível do emprego no setor.

“Foi a estratégia do jogo e, por isso, o presidente Lula não anunciou a renovação no Encontro Nacional dos Exportadores no Rio, sexta-feira.” No fim da manhã de sexta, entretanto, as montadoras já haviam comunicado aos maiores concessionários que a redução seria anunciada no fim da tarde.

Mantega também confirmou a prorrogação da redução do IPI para as montadoras como estratégia para evitar aumento de preços e demissões. Segundo ele, não houve desentendimento entre os ministros. “A decisão sobre a redução do IPI era do Ministério da Fazenda”, afirmou.

O governo, disse Mantega, já havia discutido o assunto durante a vigência do acordo anterior e havia considerado que era um período suficiente. “Depois, foi feita nova avaliação e achamos que deveria ser prorrogado. Não tem desacordo; cada ministério tem sua competência e age segundo suas atribuições.”

Mantega defendeu a decisão da Fazenda que, segundo ele, considerou as taxas de crescimento do emprego nada satisfatórias. Ele reconheceu que houve contrapartida do setor automobilístico. “Havia um acordo em curso e você não poderia simplesmente fazer uma redução de IPI sem que houvesse um compromisso do setor com a manutenção do emprego e do preço dos carros.”