10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Papai Noel pode ganhar mais de R$ 1 mil

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A roupa é quente e o trabalho pode parecer desagradável para muitos, mas um Papai Noel pode ganhar mais de R$ 1 mil durante o mês do Natal. Além das oportunidades em shoppings centers, supermercados e lojas, os “bons velhinhos” encontram trabalho em eventos de empresas, escolas e são contratados até mesmo por famílias, para entregar os presentes na noite do dia 24.

O vendedor Paulo Roberto Meleiro, 44 anos, é Papai Noel profissional há pelo menos dez anos. Neste ano, além de ter participado da Super Parada de Natal JC, ele está trabalhando todas as tardes na praça Rui Barbosa, conversando com crianças e adultos e distribuindo balas. “Eu faço porque gosto, mas também dá para tirar uma grana boa. Eu garanto meu 13º trabalhando como Papai Noel”, diz.

Meleiro afirma que cobra em média R$ 50,00 para fazer uma aparição ou participar de um evento por cerca de duas horas. Ele ressalta que o valor depende do acordo com o contratante e o tempo em que vai ficar no local.

O professor de educação física e apresentador de TV Fernando Pakatcholo é o Papai Noel oficial do Bauru Shopping desde 1998. Ele não revela quanto recebe pelo trabalho, mas afirma que um “bom velhinho” pode ganhar muito bem atualmente. “Para entregar presentes na noite de Natal depois que saio do shopping, tenho uma média de procura de 30 famílias, mas não é possível porque você gasta cerca de 30 minutos em cada casa. Então, eu faço uma média de dez casas. Isto eu cobro mais caro, porque estou deixando de passar a noite com a minha família”, diz.

Se um Papai Noel conseguir passar por dez casas na noite de Natal, cobrando cerca de R$ 100,00 por visita, somente no dia 24 o faturamento chega a R$ 1 mil.

No entanto, Pakatcholo observa que são necessários alguns requisitos para que um Papai Noel faça sucesso e consiga atrair tanto a atenção dos visitantes do shopping quanto clientes. “Aquele que não tem carisma, não tem uma boa produção de roupa, não se preocupa com detalhes, não vai conseguir tanto sucesso. E precisa gostar do que faz, tem que ser carismático, principalmente com as crianças”, afirma.

O Papai Noel dá uma dica para evitar constrangimentos com a família das crianças. “Eu me policio muito para perguntar o que a criança quer ganhar de presente, porque ela vai achar que você já está oferecendo, que vai dar mesmo o presente, e se a família não tem condições, ela pode ficar frustrada. Então, eu digo que vou ver se vai ser possível, e se não der neste ano, quem sabe no próximo”, comenta Pakatcholo.

A assistente de marketing do Bauru Shopping, Sílvia Garcia, elogia o trabalho do Papai Noel oficial. “Nos primeiros anos em que ele trabalhou, foi tão bom que não arriscamos mais. Não é mole passar horas com aquela roupa, a maquiagem, a barba, e ainda assim, manter o carisma, agradar todo mundo”, declara. Neste ano, Pakatcholo passeia pelos pisos inferior e superior do Shopping com um patinete motorizado e ainda arrisca patinar na pista de gelo.

Adeline Jerônimo, que é diretora de elenco de uma agência de talentos, conta que se surpreendeu com a pequena quantidade de “bons velhinhos” que ofereceram seus serviços este ano. “Como muitas empresas já têm o seu Papai Noel fixo, com quem trabalha todos os anos, a procura foi menor. Mas sempre temos demanda, todos os anos”, aponta.

Para o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco De Bernardis, a presença de um Papai Noel nas lojas atrai clientes e cria um clima melhor para as compras.

“Nós contratamos por alguns dias, para ele passear pelo Calçadão. E sempre há mais oportunidades nas lojas para aqueles que estiverem sintonizados com o clima do Natal, porque o Papai Noel tem que ter carisma. As pessoas têm que perceber no olhar que ele está ali para falar com elas com carinho”, observa.

Um Papai Noel de sucesso, antes de qualquer coisa, deve gostar de representar este papel. Meleiro e Pakatcholo indicam que as crianças ficam muito atentas e impressionadas com o personagem. Por isso, a representação tem de ser convincente.