07 de julho de 2026
Saúde

Obsessão compulsiva é o mais comum

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um dos principais distúrbios relacionados às manias. De acordo com o psiquiatra Wilson Siqueira, a doença é caracterizada por pensamentos tão fortes que compelem o indivíduo a executar determinada ação. Em outras palavras, a obsessão é caracterizada pelas idéias; a compulsão são atitudes tomadas no intuito de impedir que tais idéias se concretizem.

“Todos nós temos pensamentos meio malucos de vez em quando e sentimos vontade de fazer coisas estranhas. Mas, para a maioria das pessoas, é só um pensamento (geralmente engraçado) que passa em segundos e não altera nada. Só que 4% da população sofrem com esses pensamentos fortes e desperdiça tempo exagerado cumprindo rituais na tentativa de aliviar a tensão que tais idéias geram”, explica o médico.

Segundo ele, as manifestações mais comuns do TOC são as compulsões ligadas à higiene. O medo obsessivo de ser contaminado por germes interfere no convívio social do doente. Para ele, apertos de mão, beijos, abraços, objetos compartilhados (telefones, grampeadores, cadeiras) e até passar na rua em que há um hospital são situações de risco e pânico.

“Essa obsessão por limpeza pode resultar até em auto-agressão. Muitos doentes chegam a queimar a pele em água fervente na tentativa de matar os germes ao lavar as mãos ou tomar banho. Sem contar o desgaste. Há mulheres que usam de seis a sete rolos de papel higiênico por dia e perdem um tempo enorme no banheiro com medo de se contaminar pelas próprias secreções”, comenta.

Outro transtorno comum são as compulsões de verificação. A pessoa acometida por esse transtorno precisa checar e rechecar a mesma coisa várias vezes. São indivíduos que conferem a fechadura, o registro do gás e as janelas diversas vezes antes de deitar e ainda se levantam várias vezes durante a noite porque precisam ter certeza de que tudo está fechado.

As manias de organização e simetria também são freqüentes, segundo o médico. A maioria das pessoas gosta de estar em ambientes arrumados e bonitos. A diferença entre a reação sadia e doentia está nos pensamentos que vêm à cabeça da pessoa que vê o cenário bagunçado.

Ao perceber um objeto fora do lugar numa situação em que ele não pode interferir, o indivíduo sadio pensa que o dono do lugar é desorganizado, que a empregada deve ter faltado ao serviço, que uma mudança melhoraria a aparência do local. Mas ele consegue cumprir suas atividades ali e vai embora sem sequer lembrar do objeto.

A pessoa que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo fica desesperada e angustiada com a situação. Ela quer corrigir o problema e, se não pode fazer isso, sente-se tão mal a ponto de não conseguir concentrar-se na atividade que a levou até lá.

Há também o colecionismo - a mania de acumular coisas inúteis. São pessoas que compram dezenas de camisas iguais ou que guardam jornais velhos que não servem para nada. “Veja bem: é diferente da pessoa que faz coleções por hobby, armazenando variações de determinado produto ou peças de valor sentimental e monetário. O obsessivo não tem um objetivo, ele guarda porque não consegue se livrar daquilo”, compara.

Siqueira destaca que todas as reações variam conforme a gravidade do distúrbio, podendo ser manifestações leves, moderadas, graves ou até incapacitantes.