A terapia cognitivo-comportamental é o procedimento mais usado no tratamento dos transtornos obsessivo-compulsivos (TOC), segundo o psiquiatra Wilson Siqueira. São técnicas que têm como principal objetivo ajudar o paciente a usar a própria inteligência na distinção entre pensamentos sadios e doentios.
Isso é feito colocando-se o paciente em confronto com a situação que desencadeia o pensamento obsessivo. “Você bagunça uma estante e pede que ele fique sentado algum tempo ali olhando para ela. O sofrimento do paciente é enorme, mas o terapeuta conversa, insiste, até ele entender que aquilo não vai modificar o curso do universo”, exemplifica.
É um processo de dessensibilização semelhante ao que é feito para combater as alergias. A pessoa é colocada em situações que lhe parecem ameaças até conseguir enfrentá-las sem sofrimento.
“Cerca de 50% a 70% dos casos podem ser tratados só com a psicoterapia. Outros 50% a 70% podem ser tratados só com medicamentos. A melhora mais rápida, porém, é obtida aliando-se as duas coisas”, observa Siqueira.
Para a psiquiatra Elaine Dias de Oliveira os remédios são indispensáveis no tratamento. “Tudo isso é causado por um desequilíbrio químico que faz com que o cérebro funcione como um disco quebrado. Há uma disfunção no processamento das informações e isso leva às repetições”, defende.
Segundo ela, o tratamento é longo e difícil. “Muitas famílias se assustam com as doses usadas na medicação, mas tudo isso é necessário para que consigamos deter o processo patológico”, acrescenta.
Segundo os médicos, a maior parte dos transtornos é identificada por familiares, amigos e professores, já que o doente dificilmente tem consciência sobre o próprio comportamento. Diante de atitudes suspeitas, a pessoa deve ser encaminhada ao especialista ou a um posto de saúde.
Somente um profissional é capaz de avaliar com precisão qual é a origem dos comportamentos maníacos e indicar o melhor tratamento. O transtorno obsessivo-compulsivo é apenas uma das causas.